sábado, 14 de agosto de 2010

PARA COMEMORAR



O resultado do 2º Desafio do Conhecimento IT's saiu hoje. E o Blog AVATANDO foi o 3º colocado!

Obrigado principalmente a nossos pais, que foram os nossos maiores incentivadores e nos apoiaram do início ao fim.

Agradecemos especialmente também a Professora Cláudia Quadros pela dica do concurso.

Orgulho para um colégio estadual de uma cidade de pouco mais de cinco mil habitantes.

Largando dos boxes e conseguindo um belo pódio!

Obrigada você também, leitor, e até o ano que vem então em um possível 3º Desafio!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

AVATANDO ENTREVISTA DR. GILSON SCHWARTZ



Para uma geração que tem pressa, o início da jornada profissional é uma corrida. Seja antes, durante ou depois do curso superior, o primeiro emprego influência muito no futuro profissional. E é sobre esse assunto que vamos tratar no 7º e último tema do DESAFIO DO CONHECIMENTO: para você, qual é a importância do primeiro emprego?




Conversamos com Dr. Gilson Schwartz, economista, sociólogo, jornalista, escritor, (como do livro "As profissões do futuro", que trata do assunto mercado de trabalho), pesquisador e professor da USP (Universidade de São Paulo). Já foi colunista do caderno Sinapse no jornal Folha de S. Paulo, das revistas Época e Época Negócios e já publicou o blog "Iconomia" no portal Terra. Desde 1994 tem atuado em diferentes instituições financeiras (BankBoston, BNDES, BNB, CEF e BB) e desde 2007 é curador do Centro Cultural Bradesco no Second Life, entre outras coisas.

Ele adorou a nossa iniciativa, elogiou muito o Blog e bateu um papo muito bacana com a gente, especialmente para o AVATANDO. Confiram!


Gilson Schwartz é especialista na área do mercado de trabalho.

ENTREVISTA EXCLUSIVA PARA O AVATANDO

AVATANDO - O estágio é a opção mais segura? Quais são as vantagens e desvantagens desse tipo de emprego?

DR. GILSON - Ser estagiário, aprendiz ou iniciante não é um emprego qualquer, é o nosso primeiro emprego. Como tantas coisas importantes na vida, o primeiro nem sempre terá sido o melhor. Há por exemplo uma certo hipervalorização do primeiro amor. De fato, ele é inesquecível - mas nem sempre ele foi o maior, melhor ou mesmo o último. A principal vantagem do estagiário, do ponto de vista do empregador, é a sua disponibilidade, abertura para o novo. A desvantagem é que isso não passa do outro lado da moeda, que é a total inexperiência e portanto risco de dar com os burros n'água quando vai realizar uma tarefa na qual tem pouca ou nenhuma experiência. Do ponto de vista do estagiário, a principal vantagem é o exercício das suas melhores competências. O outro lado da moeda é descobrir que suas melhores competências não combinam com a matriz insumo-produto, a hierarquia e as rotinas do primeiro "emprego". O pior dos mundos acontece quando o chefe escraviza o estagiário e este, em represália ou sabotando o sistema, dá de ombros para o que der e vier.

AVATANDO - Quais são as principais influências dessa primeira experiência para o futuro profissional?

DR. GILSON - Status, performance e paixão. Ao sair do mundo onirico das vocações em carrossel para o engajamento concreto numa atividade específica, o estagiário ganha sua primeira credencial como indivíduo autönomo, ou seja, capaz de assumir a responsabilidade pelo seu sustento (a primeira e mais elementar forma de sustentabilidade). É um status, um diferencial frente ao pessoal que ainda está ocioso (ainda que dedicando-se a formas sofisticadas de ócio criativo). A segunda força que marca essa experiência é a própria performance. Como o estagiário está no grau zero da hierarquia corporativa, é também alvo frequente de alguma violência institucional ou mesmo sarcasmo. Apenas o estagiário que tem performance acima da média impóe respeito e conhece os verdadeiros limites de seu conhecimento e poder de realização. Aprende com o trabalho. Evolui. Avalia. Revela-se. Finalmente, nada rola sem paixão. E aquele amor à primeira vista pelo bem do próximo pode ir por terra no primeiro contato com corpos mutilados na enfermaria de um pronto socorro ou atrás do vidro de um modorrento almoxarifado.

AVATANDO - As empresas têm dado chance para jovens que estão iniciando sua vida profissional, sem currículo?

DR. GILSON - Sim, porém valorizando cada vez mais outras formas de "currículo" como a página no Orkut, os cursos e viagens, o domínio de línguas, em suma, imagem e conhecimento hoje valem mais no currículo do que a experiência profissional no sentido estrito.

AVATANDO - Quais são os principais erros dos jovens na hora de procurar um primeiro emprego?

DR. GILSON - Dar uma de "Maria-vai-com-as-outras", ou seja, ouvir mais as vozes dos outros do que a própria voz interior, que em geral nos "chama" para uma aventura que combina status, performance e paixão. O erro maior é achar que a primeira posição no jogo de xadres da vida profissional determina todos os lances seguintes e mesmo o resultado.

AVATANDO - Quais caminhos você acha que o jovem deve seguir quando tentar uma vaga no mercado de trabalho?

DR. GILSON - Procurar pessoas, não vagas.

AVATANDO - Especialistas dizem que o mercado de trabalho ambiental vem crescendo e é uma profissão de futuro. Qual dessas áreas tem proporcionado mais vagas para os recém-formados?

DR. GILSON - Há muita falação ambiental mas, na prática, estamos perdendo essa luta e os países mais poluidores, como os EUA, recusam-se a cumprir metas de contenção de emissão de gases de efeito estufa. Enquanto essa resistência predominar, vamos ouvir falar mais de meio-ambiente enquanto a sua destruição prossegue e os modelos de desenvolvimento não se alteram.

AVATANDO - Qual foi a importância do primeiro emprego para a sua conceituada carreira? Como foi essa experiência?

DR. GILSON - No meu caso, o movimento do peão foi absolutamente essencial e determinante de todos os 33 anos de trabalho que vieram desde então. Aos 17 anos, consegui a vaga de estagiário da Unidade de Processamento de Dados da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP. Naquela época, o menor computador era do tamanho de um carro e os dados só podiam ser registrados e lidos em enormes rolos de fita magnética. Aquilo me apaixonou e nunca mais deixei de acompanhar a digitalização do mundo. Antes disso, no entanto, curiosamente, consegui um emprego mesmo, como professor de inglês para executivos. Eu tinha 16 anos e dava aula para diretores de banco e empresas que tinham de três a quatro vezes a minha idade.

AVATANDO - E para fechar com chave de ouro: o que você diria para um jovem que está entrando no mercado de trabalho e procurando seu primeiro emprego?

DR. GILSON - Respire fundo, esteja preparado para errar e se jogue de cabeça. Do outro lado vai aparecer você mesmo, melhorado.

DICAS DE GEHRINGER

Para clarear mais ainda, outro vídeo do especialista na área Max Gehringer no quadro "Emprego de A a Z" sobre o primeiro emprego.




Se você tem entre 15 e 18 anos e está confuso; e se seus pais pensam que você não sabe bem o que quer da vida, não se preocupe: você é normal. Nessa idade, todo jovem tem algumas certezas sobre a vida e muitas dúvidas sobre a carreira.

O estudante Alexandre Cruz, 17 anos, é um exemplo desse tipo de indecisão: está dividido entre quatro sonhos. "Jornalismo, Sociologia, Ciências Sociais e Música. Tenho que decidir entre um deles", diz.

No interior de São Paulo, o Salão das Decisões reúne mais de 200 cursos no cardápio de oferta das universidades. O salão é o maior evento voltado para o público estudantil do interior paulista. Ele procura levar até os estudantes as informações sobre os novos cursos, as novas universidades, novas tecnologias na área de ensino, diz o organizador do evento, Luiz Antônio Guimarães.

1ª dúvida: qual curso fazer?

"Minha mãe não quer que eu faça filosofia de jeito nenhum. Ela gostaria que eu fizesse algo que tem mais mercado", explica Alexandre. Vilma Bispo, mãe do estudante, confirma. "Eu tinha esperança que ele fizesse engenharia na verdade, né?", diz.

Segundo Max Gehringer, a pergunta que deve ser feita por Alexandre para resolver o problema é: dos quatro cursos que você tem na cabeça, qual realmente você gosta mais?

"Eu realmente gosto de jornalismo", diz Alexandre. "Gosto muito de expressar o que eu penso. Eu me vejo como um Arnaldo Jabor da vida, entrando no Jornal da Globo e falando sobre as notícias da semana".

Max Gehringer alerta: algumas profissões estão saturadas, como jornalismo e direito. Para quem não sabe o que fazer, administração de empresas é uma boa opção. "Por ser o curso mais genérico que existe, é o que oferece o maior leque de oportunidades na hora de procurar um emprego.

2ª dúvida: o nome da faculdade tem importância?

"O nome da faculdade é como uma grife. Portanto, e eu sinto dizer isso, os piores alunos das escolas famosas terão mais chances do que os melhores alunos das escolas pouco conhecidas, diz Gehringer.

Felipe Silva tem 20 anos, está à procura do primeiro emprego e já sabe no que quer se especializar. "Meu sonho é ser um chefe de cozinha. Fiz um curso profissionalizante de bolos e tortas. As pessoas começaram a gostar, aí eu comecei a fazer", diz.

Segundo a coordenadora do curso de tecnologia em gastronomia do Senac, a gastronomia é uma área que está sendo muito valorizada no mercado de trabalho. "O mercado está competitivo, está exigindo uma pessoa bem formada, que tenha um conhecimento cultural relativamente amplo", diz. Uma língua estrangeira também é importante.

Na hora de procurar uma vaga, jovens como Felipe esbarram na barreira falta de experiência. Para superar o obstáculo, Gehringer dá a dica: buscar oportunidades em hotéis pode ser uma boa opção. "Hotel é o tipo de lugar que tem muita coisa para fazer: você pode trabalhar na arrumação, recepção, qualquer coisa que o hotel ofereça. Porém, estando dentro do hotel, a tua chance de passar para a cozinha é muito maior do que se você estiver fora do hotel", explica.

3ª dúvida: vale a pena mudar de curso?

Até o segundo ano, ainda dá para mudar. A partir do terceiro é melhor se sacrificar e concluir o curso. Quando se está no começo da carreira, dois anos podem fazer muita diferença, garante Gehringer.

4ª dúvida: se eu não tenho experiência, qual o melhor caminho?

Aproveite o curso para conhecer muito bem os seus professores. "A maioria, ou praticamente em todas as vagas que se abrem para jornalistas desse país, a pessoa é contratada porque outro jornalista fez uma indicação", diz Gehringer.

"A chance de você conseguir um estágio já no segundo ou terceito ano vai ser muito dependente de um professor seu". Segundo Gehringer, muitos jovens que se formam demoram a conseguir um emprego porque não aproveitaram as chances de conhecer pessoas influentes.

5ª dúvida: e se eu fizer tudo isso e não conseguir um emprego?

Segundo o superintendente da ONG Via de Acesso, Ruy Leal, essa possibilidade existe. "50% desse contingente de 1,6 milhão de jovens que saem todo ano com título de formados não vão encontrar essa oportunidade de trabalho".

Para Gehringer, é importante considerar a hipótese de não ser um empregado. O estudante Felipe Silva sonha em montar a própria confeitaria. "É meu sonho, meu maior sonho", afirma.

No Brasil, desde o final do século XX, o número de boas vagas em empresas vem sendo menor do que o número anual de formandos. Pais que foram empregados a vida inteira sempre orientam os filhos a procurar emprego.

"Olhando para as estatísticas, seria mais viável que os pais orientassem os filhos a trabalhar por conta própria", diz Gehringer. Segundo ele, o jovem tem a seu favor a coisa mais valiosa do mundo, e a única que não dá para recuperar depois: o tempo.

BUSQUE SEGURANÇA

Pensando nisso, garanta a sua segurança. Procure empresas que possuam uma estrutura sólida e comprometimento em relação aos seus objetivos e, principalmente, ao tratamento dado aos seus funcionários.

Sejam de micro, pequeno, médio ou grande porte, nestas empresas o estágio é visto como excelente oportunidade de troca de experiências: o estudante adquire vivência e a empresa conquista inovação, além da possibilidade de formar e capacitar futuros executivos. Tudo depende, claro, do seu desempenho e da estrutura financeira do seu local de trabalho.

Encontrar a vaga certa para o primeiro emprego é um desafio para a maioria dos recém-formados - mas quando eles encontram, começa um desafio ainda mais árduo: conquistá-la para si.

Matéria do quadro de Max Gehringer no programa dominical Fantástico (Rede Globo), onde ele dá dicas de como o candidato a um emprego deve encarar esse momento da entrevista de emprego e de que maneira é possível evitar o nervosismo e a ansiedade.

ESTÁGIO É A MELHOR OPÇÃO?

Muitas empresas atualmente tem exigido do contratado um estágio no currículo. Mas, será que esse tipo de emprego é a melhor opção?

Segundo nosso entrevistado Dr. Gilson Schwartz, "Ser estagiário, aprendiz ou iniciante não é um emprego qualquer, é o nosso primeiro emprego. Como tantas coisas importantes na vida, o primeiro nem sempre terá sido o melhor. Há por exemplo uma certo hipervalorização do primeiro amor. De fato, ele é inesquecível - mas nem sempre ele foi o maior, melhor ou mesmo o último. A principal vantagem do estagiário, do ponto de vista do empregador, é a sua disponibilidade, abertura para o novo. A desvantagem é que isso não passa do outro lado da moeda, que é a total inexperiência e portanto risco de dar com os burros n'água quando vai realizar uma tarefa na qual tem pouca ou nenhuma experiência. Do ponto de vista do estagiário, a principal vantagem é o exercício das suas melhores competências. O outro lado da moeda é descobrir que suas melhores competências não combinam com a matriz insumo-produto, a hierarquia e as rotinas do primeiro "emprego". O pior dos mundos acontece quando o chefe escraviza o estagiário e este, em represália ou sabotando o sistema, dá de ombros para o que der e vier".

Estágio, como tudo na vida, tem seus prós e contras. Pode ser uma boa opção para o jovem iniciante na carreira aprender, errar e ter a chance de corrigir, adquirindo experiência, como disse Dr. Gilson.
O lado ruim, talvez o pior, é quando o chefe escraviza o estagiário, que sem experiência, acaba aceitando.

Para entender melhor, mais uma matéria do quadro"Mercado de Trabalho", do Jornal Hoje:




A estimativa da matéria da repórter Michelle Loreto, que foi ao ar em 14/12/2009 era que cerca de 150 mil jovem deviam ser contratados no começo do ano de 2010. No fim do ano é que as vagas se abrem. A estimativa também era de 60 mil vagas se abrirem naquele mês de dezembro no país.

Um estágio bem feito pode ser uma verdadeira vitrine.

O estagiário que está no final da faculdade já tem pelo menos 2 anos de experiência na empresa. É o que tem mais chance de ser contratado, como foi o caso de Jean Charles Cubas, estagiário em uma empresa na cidade de Riberão Preto (SP), que depois de 1 mês ficou com a vaga definitiva. "Sem dúvida, o que contou foi a força de vontade, mostrar interesse, o essencial para o estagiário ser efetivado. Sem dúvida era meu objetivo, que consegui", conta.

Segundo a nova Lei do Estágio, antes a carga de trabalho era de em média 8 horas diárias. Agora, a carga máxima é de 6 horas por dia, ou 30 horas por semana.

O estagiário também tem direito:

- Recesso remunerado;
- Bolsa auxílio;
- 1 funcionário (no mínimo) coordenando no máximo 10 estagiários;
- Atividades práticas na área relacionadas com o que ele está aprendendo na faculdade;
- Apresentação de relatórios feitos pela empresa sobre o desempenho do estudante.

As mudanças também trouxeram uma redução no número de vagas, cerca de 20% no país. As empresas passaram a contratar menos pelo aumento da burocracia e dos custos. Mas, para quem está procurando estágio, a boa notícia é que esse ano a situação melhorou.

Segundo Seme Arone Júnior, presidente da Associação Brasileira de Estágio (ABRES), "Existem muitas vagas, é a lei da oferta e da procura. Certos cursos no Brasil tem pouquissímos alunos, como é o caso de biblioteconomia, e de engenharia, que com o boom da construção civil, estam faltando profissionais".

AS ÁREAS QUE MAIS CONTRATAM

- Administração
- Comunicação social
- Informática

FALTAM ESTAGIÁRIOS NAS ÁREAS

- Economia
- Engenharia
- Estatística
- Matemática
- Biblioteconomia
- Secretariado-executivo
- Ciências contábeis

E pelos números do MEC (MInistério da Educação e Cultura), tem muita gente gente fora dos estágios. Apenas 6,7% dos estudantes do Brasil estão estagiando.

Uma matéria do Fantástico no quadro "Emprego de A a Z", com Max Gehringer sobre a importância do estágio:




A ENTREVISTA DE EMPREGO

Uma das horas mais temidas pelas pessoas, independente da idade é a entrevista de emprego.
Segundo nosso entrevistado Dr. Gilson Schwartz, um dos principais erros na hora de procurar uma vaga é "Dar uma de "Maria-vai-com-as-outras", ou seja, ouvir mais as vozes dos outros do que a própria voz interior, que em geral nos "chama" para uma aventura que combina status, performance e paixão. O erro maior é achar que a primeira posição no jogo de xadres da vida profissional determina todos os lances seguintes e mesmo o resultado."

Com toda certeza. Dicas são válidas e muito utéis - como estamos fazendo aqui no Blog -, mas o ideal é a pessoa estar confiante consigo mesma e saber o que está fazendo.

Para completar, uma matéria do Jornal Hoje, da Rede Globo, que tem um quadro bem interessante chamado "Mercado de Trabalho".




A matéria da repórter Veruska Donato mostrou que as empresas tem compreendido o nervosismo dos entrevistados, e acham isso normal. Portanto, não é por isso que você vai perder a vaga. As empresas tem mudado seu perfil aos poucos.

Segundo a entrevistada pelo jornal Alessandra Tomelin, psícologa e gerente de recursos humanos, "A entrevista de emprego é uma reunião que você vai fazer com outra pessoa e que o assunto é você.".

REAÇÕES DO CORPO

Os processos de seleção causam diversos efeitos no corpo, como:

- Vazio no estômago;
- Aperto no peito;
- Taquicardia;
- Tontura;
- Náuseas;
- Suores

As mulheres costumam balançar o corpo, enquanto homens mexem exageradamente mãos e pés.

MAIS ERROS DOS ENTREVISTADOS

Para evitar alguns erros comuns que muitas vezes afastam os jovens da sua primeira oportunidade, Flávia Furlan Nunes escreveu um artigo no InfoMoney apresentando 5 erros comuns dos recém-formados em busca do primeiro emprego. São eles:

MANDAM CURRÍCULOS SEM DIRECIONAMENTO
Não mande seus currículos para endereços gerais. Deixe claro que pessoa ou empresa deseja atingir. É verdade que diversas vagas somente exigem o envio e não se identificam, mas não há explicação para frases como "Prezado (a) Senhor (a)" no início.

Não mande e-mail com os endereços à mostra, para que todos vejam para quem está enviando seus currículos. Prefira mandar um de cada vez, ou a empresa poderá pensar que você está louco atrás de uma vaga e que poderia até mentir por isso.


VESTEM-SE ERRADO PARA A ENTREVISTA
Muitos recém-graduados vestem roupas casuais para a entrevista, que é o primeiro contato com a empresa, o que está errado. Este tipo de atitude pode lhe tirar da corrida pela vaga sem você ter, ao menos, falado alguma coisa.

Nunca pense em ir de chinelos ou colocar um top na hora da entrevista. A melhor estratégia é se vestir com elegância, mesmo que a empresa seja informal.

SAIBA OUVIR NA ENTREVISTA
Não fique falando sobre você sem parar durante a entrevista. Pare e ouça em alguns momentos. Use o primeiro contato para coletar informações sobre a empresa e de como será a rotina da pessoa escolhida na seleção.

Pergunte sobre possibilidades de crescimento e deixará uma boa impressão. Falar sem parar somente mostrará que você quer aparecer, sem ter tanto conteúdo, já que não tem experiência. Sempre peça licença para fazer perguntas e comentários.

NÃO AGRADECEM PELAS OPORTUNIDADES
Não é indicado somente deixar a entrevista e dizer "tchau". Mande uma carta ou um recado agradecendo a oportunidade. O mais indicado seria mandar um e-mail com o conteúdo, mas cuidado para não ser mal interpretado. Mostre que você ainda está interessado por alguma vaga.

PROCURAM APENAS NA INTERNET

A internet abre muitos caminhos, pois indica as vagas disponíveis. Além disso, os estudantes têm bastante familiaridade com ela. Mas se limitar a esta ferramenta de busca pode fazer com que as chances de encontrar a vaga que deseja diminuam.

Sempre peça ajuda para quem você conhece, até mesmo colegas da faculdade ou parentes. Não tenha vergonha de dizer que está à procura, pois isso somente fará com que as pessoas queiram lhe ajudar. Deixe a situação clara a seus pais; eles podem conhecer alguém influente na área em que você pretende atuar.

Como Dr. Gilson disse, "Procurar pessoas, não vagas".

DICAS PARA CONTRATAÇÃO

- Domínio com informática
- Cuidado com português
- Estar atualizado, lendo revistas e jornais
- Tenha uma postura correta

Segundo Evelyn Lemos de Oliveira, gerente de seleção, "A giria, mesmo no ambiente informal, não é usada em ambiente de entrevista e de trabalho de forma alguma".

Mas, talvez você não saiba, mas para algumas empresas o estágio ainda é visto como uma boa alternativa de contratação barata, já que não envolve qualquer benefício, férias, hora extra ou 13º salário, por exemplo. Mas não desanime! Claro que existe, como em tudo na vida, o lado bom: e é justamente isto que você deve buscar.

Matéria exibida no Fantástico de 31/08/2008, em que Gehringer indica a melhor maneira de se entrar no mercado de trabalho.




O ESTIMULO DESISTIMULADOR

Um trecho de texto muito interessante do site Antenados na Geral sobre o primeiro emprego e o plano do Governo Federal PNPE, que projetava estimular jovens carentes e acabou não deslanchando:

O Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego (PNPE) é um compromisso do Governo Federal com a sociedade brasileira para o combate à pobreza e à exclusão social, integrando as políticas públicas de emprego e renda a uma política de investimentos públicos e privados geradora de mais e melhores oportunidades.

O desemprego juvenil é um dos principais desafios enfrentados pelo Governo. Os jovens de 16 a 24 anos representam grande parte dos desempregados do país. O índice de desemprego entre os jovens nessa faixa etária é quase o dobro da taxa de desemprego em geral. Os homens e as mulheres jovens desempregados somam cerca de 3,5 milhões, ou 45% do total de 7,7 milhões de desempregados em todo o país.

O PNPE foi modificado por meio de um conjunto de medidas cujo objetivo é melhorar as condições de acesso ao mercado de trabalho. Foi aprovada a Lei 10.940/2004, promovendo alterações como o aumento do valor do incentivo pago às empresas que participam do PNPE, além de criar facilidades operacionais. Um novo sistema de informações, o Sigo, permite adesões ao programa também por meio das DRTs e dos Consórcios Sociais da Juventude, alem dos postos do Sine.

Os Consórcios Sociais da Juventude, que foram implantados inicialmente como projetos-piloto em cinco estados e no Distrito Federal, estão sendo estendidos a todas as capitais do país e às principais regiões metropolitanas, para beneficiar mais 50 mil alunos.

Uma das ferramentas fundamentais no mercado de trabalho é a comunicação, e quem fala e escreve bem tem mais chances de conquistar uma oportunidade de emprego.

Está errado quem acha que falar e escrever bem é uma questão de dom. “Falar em público é algo que resulta de treinamento. Os latinos já diziam: ‘O poeta nasce e o orador se faz’”, afirma Izidoro Blikstein, professor de lingüística e semiótica.

"O Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego (PNPE) foi um compromisso do Governo Federal com jovens carentes. A espectativa era de em 1 ano criar 70 mil empregos. Até o fim do ano, o governo criou apenas 1.308 vagas."

A ótima notícia é que, segundo os especialistas, qualquer pessoa pode aprender as técnicas para se expressar bem - até quem tem pavor de fazer isso. “As pessoas não gostam de falar em público porque elas se expõem. Quando eu falo em público, as pessoas estão me julgando, avaliando minha competência, minha capacidade de escolher bem as palavras”, explica Blikstein.

Você não deve se preocupar em falar bem só no trabalho, pois até uma festa ou um encontro podem render um emprego.

Nove meses depois de entrar efetivamente em funcionamento, o programa Primeiro Emprego ainda não conseguiu deslanchar. Da meta de criar 70 mil empregos para jovens carentes até o fim do ano, o governo criou apenas 1.308. As empresas conveniadas ao programa ofereceram 5,4 mil vagas, mas muitas vezes não é fácil encontrar entre os jovens credenciados quem se encaixe nas atribuições necessárias, explica o secretário-executivo do Ministério do Trabalho e Emprego, Alencar Ferreira.

O secretário acredita que os resultados do programa apresentarão considerável melhora graças às alterações feitas por medida provisória, aprovada há duas semanas, para corrigir problemas identificados.

- Não dá para falar que o programa não deslanchou. Ele não é algo emergencial, será uma política permanente do governo Luiz Inácio Lula da Silva - diz Ferreira.

As cobranças em torno da criação de vagas são grandes. Afinal, em junho do ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou com grande pompa no Palácio do Planalto o envio do projeto de lei ao Congresso. A grande festa - que contou até com a presença do Olodum Mirim - deixou a impressão de que o retorno viria rápido. A sanção do projeto, no entanto, só ocorreu em 23 de outubro de 2003, atrasando o início da operacionalização do Primei ro Emprego. O orçamento deste ano para o programa é de R$ 188 milhões.

O professor da Unicamp, Claudio Dedecca, especialista em mercado de trabalho, está pessimista com o futuro do Primeiro Emprego. Para ele, a possibilidade de êxito do programa é bastante limitada. Segundo Dedecca, seria muito mais interessante o governo implementar um programa de geração de empregos para jovens vinculados a políticas públicas.

A extensa fila, no início deste ano, formada por milhares de jovens entre 16 e 18 anos incompletos, em busca oportunidade de emprego formal, através do CAMPC (Circulo dos Amigos do Menor Patrulheiro de Campinas), evidencia a urgência de se implementar programas que fomentem oportunidades profissionais para este segmento. O governo federal anunciou recentemente a criação, oportuna, de um programa nesta linha. Em tempos de desemprego cada vez mais acentuado, haja vista índices recentes que indicam diminuição de vagas, a disputa por uma colocação profissional é ainda mais dramática em algumas faixas etárias. É o caso daqueles que buscam o primeiro emprego. Na maioria desafiados pela premente questão da sobrevivência ou como componente indispensável da baixa renda familiar. A primeira grande barreira que enfrentam é a alegada falta de experiência. E quando a terão se não tiverem a primeira chance?

Algumas outras ações práticas acontecem ou se encaminham, caso do Programa Profissão, no qual o governo estadual, através da Secretaria Estadual de Educação, viabiliza cursos profissionalizantes complementares, para alunos concluintes do ensino médio em escolas públicas. No município há expectativa de inauguração do futuro Ceprocamp – Centro de Educação Profissional de Campinas, anunciada pela Prefeitura. Que tal espaço, uma parceria com o governo federal, promova para nossos jovens a almejada qualificação que amplie oportunidades e melhor preparo para o disputado primeiro emprego. Ganha importância adicional levar em conta, na implementação de novos programas, as experiências já existentes, ampliá-las ou consolidá-las.

O sistema de recrutamento de profissionais no mercado vem sofrendo alterações drásticas nos últimos anos. Um exemplo claro disso é que na década de 80 eram necessários o primeiro grau completo (termo utilizado na época para o hoje ensino fundamental) e um curso de datilografia. Na década de 80, dispor um curso de computação era um luxo e não algo básico como atualmente.

O cenário foi mudando e na década de 90 o “primeiro grau” foi substituído pela qualificação mínima do 2º grau, hoje chamado de ensino médio, e o diferencial agora não era mais a tal datilografia e sim um curso de computador. Foi nessa época que surgiram aqueles termos, aqueles chavões usados até hoje nos currículos como: “domínio pleno em informática”, “conhecimento pleno em computação”.

Na verdade esta evolução chegou ao nosso século buscando profissionais que tenham ensino superior e tenham também outra característica: que saibam descrever claramente como podem contribuir para o sucesso da empresa. É neste sentido que entra a experiência que muitos jovens possuem no terceiro setor. Isso significa que atualmente é diferencial para conquistar uma vaga em uma empresa o trabalho que uma pessoa vem desenvolvendo junto às instituições sociais de sua cidade, participar de Organizações não governamentais – ONG -, de Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público – Oscip - e outras siglas que refletem um trabalho voluntário voltado para a comunidade ou para o meio ambiente, é uma ótima oportunidade de melhorar e qualificar o seu currículo.




QUAL A IMPORTÂNCIA DO PRIMEIRO EMPREGO?

Para Dr. Gilson, o primeiro emprego ajudou ele a se apaixonar mais ainda por sua profissão, mesmo com as dificuldades de trabalhar com um computador de um tamanho de um carro, por exemplo. Tanto, que aos 16 anos de idade já dava aula para experientes diretores de banco e empresas, que eram muito mais velhos que ele. "No meu caso, o movimento do peão foi absolutamente essencial e determinante de todos os 33 anos de trabalho que vieram desde então. Aos 17 anos, consegui a vaga de estagiário da Unidade de Processamento de Dados da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP. Naquela época, o menor computador era do tamanho de um carro e os dados só podiam ser registrados e lidos em enormes rolos de fita magnética. Aquilo me apaixonou e nunca mais deixei de acompanhar a digitalização do mundo. Antes disso, no entanto, curiosamente, consegui um emprego mesmo, como professor de inglês para executivos. Eu tinha 16 anos e dava aula para diretores de banco e empresas que tinham de três a quatro vezes a minha idade."

Ele foi feliz com seu primeiro emprego. O essencial para qualquer atividade do ser humano. Gostar do que faz e do que é.

Quais são as principais influências dessa primeira experiência para o futuro profissional?

"Status, performance e paixão. Ao sair do mundo onirico das vocações em carrossel para o engajamento concreto numa atividade específica, o estagiário ganha sua primeira credencial como indivíduo autönomo, ou seja, capaz de assumir a responsabilidade pelo seu sustento (a primeira e mais elementar forma de sustentabilidade). É um status, um diferencial frente ao pessoal que ainda está ocioso (ainda que dedicando-se a formas sofisticadas de ócio criativo). A segunda força que marca essa experiência é a própria performance. Como o estagiário está no grau zero da hierarquia corporativa, é também alvo frequente de alguma violência institucional ou mesmo sarcasmo. Apenas o estagiário que tem performance acima da média impóe respeito e conhece os verdadeiros limites de seu conhecimento e poder de realização. Aprende com o trabalho. Evolui. Avalia. Revela-se. Finalmente, nada rola sem paixão. E aquele amor à primeira vista pelo bem do próximo pode ir por terra no primeiro contato com corpos mutilados na enfermaria de um pronto socorro ou atrás do vidro de um modorrento almoxarifado.", como contou Dr. Gilson em sua bela entrevista.

Paixão. O ser humano é movido por essa causa.

Fernanda quer ser jornalista e Darlan meteorologista, como já contamos em matérias anteriores. Esperamos sim arranjarmos bons empregos.

Mas, muito mais que isso, esperamos ser felizes com o que fazemos. Movidos por "Status, performance e paixão" pela profissão e carreira. Nós e vocês, leitores, AVATANDOS pelo mundo.


segunda-feira, 26 de julho de 2010

TEMA 06 - CURSOS SATURADOS = CONHECIMENTO GUARDADO

 Foto: Fernanda Teixeira/AVATANDO

Fernanda já pensou em ser bailarina, veterinária, médica, professora, dentista, desenhista - encantada com as revistinhas da Turma da Mônica -, atriz, advogada, arquiteta, publicitária, designer - depois de assistir a uma palestra do design da Rede Globo Hans Donner*.


Fernanda (de vermelho) com seu pai, sua mãe e Hans Donner (centro), em palestra na Assembleia Legislativa em Florianópolis.


Evolução das logomarcas da Rede Globo. Em 1975 (ver figura acima), Hans Donner criou a atual logomarca do canal. Foto: pretojackson.wordpress.com

Atualmente imagina-se como uma jornalista, influenciada principalmente pelos jornalistas Ricardo Noblat, do jornal O Globo, e Juca Kfouri, um dos maiores jornalistas esportivos do Brasil, colunista do jornal Folha de S. Paulo, blogueiro, e apresentador de vários programas, como na rede de rádio CBN e nos canais ESPN, da TV paga.


Fernanda e Juca Kfouri batendo um papo bem legal em Floripa.


Fernanda com seu pai e sua mãe em uma palestra em Floripa com o jornalista político Ricardo Noblat.

Darlan já se imaginou sendo veterinário, médico cardiologista, engenheiro, trabalhando com edificações, engenheiro agrimensor e atualmente pensa em ser meteorologista.

O médico que Darlan já imaginou ser é atualmente considerado uma profissão saturada.

Fernanda pensa em fazer jornalismo atualmente. Segundo diversos especialistas, inclusive Max Gehringer, é uma profissão já saturada. Mas, em plena era dos computadores, com Blogs, será que jornalismo seria mesmo um curso esgotado? E por quê cursos como direito, medicina, engenharia, odontologia e outras mais se tornaram saturados de profissionais no mercado? São perguntas que vamos tentar responder esse semana;

Você já pensou em fazer um curso que estava saturado no mercado de trabalho?



ESCOLHA DA CARREIRA

Por imaturidade, desconhecimento, inexperiência e falta de apoio, o jovem brasileiro tem sérias dificuldade na escolha de sua carreira. A influência da família e de amigos, aliada a falta de informações são os fatores que mais pesam na tomada de decisão por parte do jovem vestibulando. Na dúvida, cheio de insegurança, mais de 70% dos jovens optam pelas carreiras tradicionais, já totalmente saturadas no mercado, como medicina, direito, engenharia, odontologia e outras mais. Caberia à escola o papel orientador, mas essa prefere presenciar inerte seus alunos lutando desesperadamente pela aprovação em um curso "tradicional", para amanhã estarem desempregados ou subempregados.

Cheio de dúvidas e sem base, como já falamos no TEMA 03. Seja por questões culturais, por falta de conhecimento, por tradicionalismo ou por status, os cursos mais concorridos nas universidades não são os de melhores perspectivas profissionais, mas sim os mais tradicionais.

Segundo o vice-reitor da UNESP (Universidade Estadual Paulista), Profº Dr. Paulo Cezar Razuk, os "cursos mais concorridos são aqueles ligados as profissões mais tradicionais que, por sinal, algumas delas, a médio prazo, estarão fadadas ao desaparecimento".

COMO DECIDIR O RUMO DA VIDA?

Em uma das matérias do quadro "Emprego de A a Z", no Fantástico, da Rede Globo, o consultor Max Gehringer conversou com diversos estudantes, dando dicas para os jovens que ainda não sabem que rumo tomar na vida:

“Eu já pensei em fazer medicina , já pensei em fazer engenharia de alimentos, já pensei em fazer psicologia. Bom, na verdade eu não sei o que eu quero fazer da minha vida”, conta uma estudante.

Se você tem entre 15 e 18 anos, e está confuso:

“Hoje nós temos mais de 200 cursos no cardápio de oferta das universidades”, conta o organizador do salão das decisões 2007 Luiz Antônio Guimarães.

E se seus pais reclamam que você não sabe bem o que quer da vida, não se preocupe: você é normal.

“O salão das decisões é o maior evento, voltado para o público estudantil, do interior paulista. Ele procura levar até o estudante as informações sobre os novos cursos, as novas universidades, novas tecnologias na área de ensino”, explica o organizador do salão das decisões 2007 Luiz Antônio Guimarães.

Nessa idade, todo jovem tem algumas certezas sobre a vida e muitas dúvidas sobre a carreira.

“Meu nome é Alexandre, tenho 17 anos, e o problema é que eu tenho quatro sonhos: jornalismo, sociologia, ciências sociais e música. Eu tenho que decidir entre um deles”, diz Alexandre Cruz, de 17 anos.

A primeira dúvida: qual curso fazer?

“Minha mãe não quer de jeito nenhum que eu faça filosofia”, diz a estudante.

“Minha mãe gostaria que fizesse alguma coisa que tem mais mercado”, diz o estudante Alexandre Cruz, de 17 anos.

“Eu tinha esperança que ele fizesse engenharia, na verdade”, comenta a mãe de Alexandre, Vilma Bispo.

“Das quatro que você tem na cabeça, qual que você realmente gosta mais?”, pergunta Max.

“Eu realmente gosto de jornalismo. Gosto muito de expressar o que eu penso. Eu me vejo como um Arnaldo Jabor da vida, entrando no Jornal da Globo e falando sobre as notícias da semana”, conta Alexandre.

Algumas profissões estão saturadas, dentre elas direito e jornalismo. Para quem não sabe o que fazer, administração de empresas é uma boa opção. Por ser o curso mais genérico que existe, é o que oferece o maior leque de oportunidades na hora de procurar um emprego.

E JORNALISMO?

Um comentário de Max Gehringer para a rede de rádios CBN em 22/06/2009. Com a nova lei, onde a pessoa não precisa do diploma de jornalista para atuar na área, ele diz que quem começou o curso deve continuar, e explica o porquê. Mas afirma que é uma das profissões mais saturadas do mercado:

"Sou professor de uma faculdade de jornalismo", escreve um ouvinte. "Você deve ter imaginado o pesadelo que foi para mim e para os outros professores, ter que encarar a primeira aula após a decisão do STF de que jornalista não precisa mais ser diplomado. Eu nem bem botei o pé na classe e meus alunos já me perguntaram se valia a pena continuar com o curso, uma vez que, de repente, passamos a ter 100 milhões de potenciais jornalistas no Brasil."

Sim, vale a pena continuar com o curso. E vou enumerar alguns motivos.

Primeiro, no Brasil existem 100 milhões de potenciais administradores de empresas. Não há nenhuma lei que obrigue uma empresa a contratar um profissional diplomado em administração para uma vaga administrativa. Mas as empresas, por decisão delas, exigem o diploma. A mesma coisa irá acontecer com os jornalistas. Conversei com algumas figuras do ramo e o diploma de jornalismo continuará a ser exigido nas contratações.

Outro ponto vital: jornalista precisa saber escrever. Não somente com estilo, mas principalmente com correção. Atualmente, raros são os cursos superiores que têm a preocupação de não permitir que seus formandos saiam pelo mercado de trabalho trucidando o português. E o jornalismo é o principal deles. Portanto, para quem quiser ser jornalista, o diploma continuará valendo o que sempre valeu.

Eu acredito que ainda haverá desdobramentos em relação à decisão do STF, com passeatas, pressões de entidades de classe e ações de congressistas. Mas eu gostaria de chamar a atenção para um detalhe: jornalismo é uma das profissões mais saturadas do mercado. As poucas vagas que aparecem são preenchidas por indicações de outros jornalistas.

Não é difícil prever que os jovens que se formarem em jornalismo a partir de agora, irão atribuir à decisão do STF, o fato de não conseguirem um emprego na área. Isso poderá ser até um auto-consolo, mas não será verdade. Ser formando em uma faculdade de jornalismo de renome, continuará pesando muito. E conhecer um jornalista que possa fazer uma indicação, mais ainda.

MAIS PROFISSÕES
ENTREVISTA COM MAX GEHRINGER

Em outra entrevista do analista de gestão e carreira Max Gehringer para Elida Oliveira, da Gazeta do Povo, em 13/04/2009, ele diz que “É preciso aliar diploma e experiência”. Confiram:

O planejamento profissional começa agora, na escolha do curso para o vestibular. Para o analista de gestão e carreira Max Gehringer, é importante fugir da pressão dos pais, procurar adquirir experiência prática e pesquisar muito o mercado de trabalho. Além disso, relacionamento pessoal fará toda a diferença na hora de conseguir o primeiro estágio ou emprego.

Que conselhos você daria para quem está se preparando para o vestibular?

Diria para pesquisarem o mercado de trabalho, observar a área em que querem atuar e, principalmente, não fazer uma graduação para agradar aos pais. A segunda dica seria evitar cursos de nomes bonitos e mercado de trabalho restrito. Ninguém sabe quando chegará a hora dessas profissões “de futuro”.

O que se deve levar em conta na hora de escolher um curso superior?

É preciso aliar vocação aos dados concretos do mercado de trabalho. Em pesquisas é possível saber quantos profissionais, entre os formados, estão sendo contratados. Se o número for menos de 40%, o mercado está saturado. Outro ponto a se considerar é que o primeiro estágio ou emprego vai depender da indicação de pessoas que o conheçam. Por isso, bom relacionamento fará a diferença, principalmente em áreas saturadas.

Como saber se o curso é o certo?

Nos primeiros dois anos, todos os cursos são chatos porque quebram as expectativas. As aulas da graduação não são diferentes de outras que os alunos tiveram a vida inteira. O ideal é esperar quatro semestres (ou dois anos de curso) antes de desistir. Se a ideia de desistir veio depois deste tempo, recomendo terminar o curso.

Considerando os cursos tradicionais de graduação e os cursos superiores de tecnologia, o mercado de trabalho os valoriza da mesma forma?

Sim, ambos são de graduação, mas preparam para funções diferentes. O que confunde é imaginar que em um curso de tecnólogo o estudante poderá “cortar caminho”, pois se forma em dois anos e não em quatro ou cinco. Não é assim. Os cursos oferecem caminhos diferentes. No mercado de trabalho, um técnico em logística não poderá competir para ser um gerente administrativo, mas terá vaga garantida em disputas por vagas específicas.

O que o mercado de trabalho mais valoriza em um profissional recém-formado?

A experiência prática. Estudar é bom, ter diploma impressiona, porém nada disso irá substituir a experiência. Recomendo começar a trabalhar aos 17 anos, pois o estudante já terá quatro anos de prática quando se formar, aos 21 anos.

Essa experiência inclui empregos em outras áreas?

Sim, a diferença é saber por que eu estou fazendo aquilo, mostrar a dedicação e o foco no trabalho. Uma vez eu contratei um camarada que estudava a semana inteira e nas sextas e sábados entregava pizza – em vez de ir para a balada ou sair com a namorada. Este funcionário eu queria comigo. Se você não conseguir nenhum emprego, vá trabalhar em uma ONG, aprender de graça, o que tem um tremendo peso no currículo.

Para quem sonha em seguir uma carreira para a qual não há curso superior, o que fazer?

Ele deve saber se existe esse curso fora do Brasil. Para quem quer fazer Animação, por exemplo, Computação Gráfica existe como graduação há muito tempo nos Estados Unidos. Se não der para estudar fora, o estudante deve achar o curso mais parecido no Brasil e, depois, procurar um emprego para aprender na prática.

Falamos sempre da preparação dos estudantes, mas o mercado pode absorver esta mão-de-obra tão qualificada?

Temos, academicamente falando, a melhor geração da história do Brasil. Hoje estuda-se três vezes mais para conseguir o mesmo salário, o que é bom pois o conhecimento será transmitido para outras gerações. Mas, quando esse contingente entra no mercado de trabalho, sente que a velocidade da empresa é lenta e durante muito tempo nada irá acontecer. Não interessa mais a formação, e sim a capacidade de conquistar a confiança da empresa. O ciclo de maturação do profissional é longo e, por isso, é preciso paciência.

O que você aprendeu de mais importante na sua vida profissional?

A entender três coisas: as pessoas, as mudanças e quem manda. No mercado de trabalho tem-se mais respeito pelas pessoas. A tecnologia também avançou e devemos sempre nos adaptar. Mas o mais curioso é que, por mais profissionais que pensamos ser, agimos de modo puramente emocional. As pessoas irão lembrar de você não porque fez a empresa crescer 14%, mas porque contou uma piada ou ajudou um colega, por exemplo, e você nem percebeu.

Sucesso profissional é sinônimo de que?

De um sono gostoso. É deitar, dormir e acordar tranquilo, com vontade de trabalhar no dia seguinte. Não adianta estabelecer o sucesso em níveis. Alguém que ganha um salário mínimo pode dormir muito bem e acordar feliz no dia seguinte. Essa pessoa é um sucesso.

CURSOS NÃO SATURADOS

Setores de maior probabilidade de crescimento para as próximas décadas

Informática
Saúde
Meio Ambiente
Turismo, lazer e entretenimento
Biotecnologia
Administração
Tecnologia da Informação
Terceiro Setor
Educação

"Profissões do Futuro"

Administradores de Comunidades Virtuais
Engenheiros de Rede
Gestor de Segurança na Internet
Coordenadores de Projetos
Consultor de Carreiras
Coordenadores de Atividades de Lazer e Entretenimento
Designer e planejador de Games
Gestor de Patrocínios
Gestor de Empresas do Terceiro Setor
Especialista na preservação do Meio Ambiente
Engenharia Genética
Gerentes de Terceirização
Gestor de Relações com o Cliente
Especialista em Ensino a Distância (EAD)
Tecnólogo em Criogenia

Profissões de Futuro (com possibilidade de crescimento)

Turismo
Hotelaria
Sistema de Informações (Informática)
Comunicação Social
Moda
Administração
Gastronomia
Logística
Marketing
Telecomunicações
Comércio Exterior e Relações Internacionais



Como se diferenciar em carreiras consideradas saturadas pelo mercado, se minha profissão faz parte dessa estatística?

Segundo Mario Persona, especialista em marketing e comunicação, em uma entrevista para seu site, "Se minha profissão for fabricar galochas, é melhor eu transformar minha linha de produtos em calçados impermeáveis para pescadores esportivos, ou não vou sobreviver. Carreiras podem ser adaptadas do mesmo modo como as empresas fazem com produtos. Porém às vezes não há como reciclar uma atividade que caminha rapidamente para a extinção. Aí o jeito é aproveitar os elementos que podem ser aproveitados em outra atividade ou profissão e partir para a mudança. Minha formação é em arquitetura e urbanismo, mas já perdi a conta das vezes que mudei de profissão ao longo de minha carreira. Além de arquiteto, já trabalhei como desenhista, professor em cursos de idiomas, professor de ensino médio, faculdade, MBA, agricultor, construtor, vendedor, negociador, livreiro, editor, comerciante... sem contar que hoje atuo, além de consultor, como palestrante, tradutor e escritor. Até pedreiro, eletricista, carpinteiro e encanador já fui em duas casas que construí com as próprias mãos. É claro que minhas atividades atuais acabam reunindo experiências de todas essas atividades, uma diversidade que hoje considero essencial ao pensamento criativo."

QUEM INDICA?



Essa matéria que vocês acabaram de assistir do Jornal Nacional de 26 de setembro de 2007, da Rede Globo mostra bem essa questão.

O "Quem Indica" é ferramenta do mercado de trabalho.
O networking nunca foi tão importante para abrir as portas de um emprego novo.

Quem anda à procura de um emprego já deve ter notado que está de volta ao mercado de trabalho um critério antigo na seleção de novos funcionários. Muita gente conhece essa prática como "Q.I.", ou "quem indica", mas o que parece só um favor entre amigos é uma ferramenta do mercado de trabalho. Tem até nome técnico: networking, traduzido como "rede de contatos e relacionamentos". E nunca foi tão importante para abrir as portas de um emprego novo.

Uma pesquisa feita por uma das maiores agências de recolocação do país mostra que entre mais de 12 mil profissionais de empresas privadas, 44% deles conseguiram emprego por indicação de conhecidos, 16% pela Internet, 6% por meio de anúncios de jornais e 3% através de agências de emprego.

"A indicação significa um aval de alguém reconhecido dentro da empresa, representa que esse profissional tem assim um selo de qualidade, que comparado assim a outros profissionais que têm a mesma formação ele tem uma qualidade a mais, que tem uma indicação", diz Adriano Arruda, especialista em Recursos Humanos.

Rita Menezes, sócia-diretora de uma agência de publicidade, conta que quase todo o mundo que trabalha no local foi indicado por alguém. Rita contratou a namorada do primo, a filha da babá e o cunhado do primo do marido dela. E conta que agência funciona muito bem dessa forma. "Tem pessoas que eu conheci em festas, tem amigos, indicações de fornecedores, de clientes de ex-funcionários. Eu tenho uma referência de uma pessoa que tem mais o nosso estilo."



Matéria do quadro no Fantástico do consultor Max Gehringer "Emprego de A a Z" mostra também a importância da indicação na hora de conseguir uma vaga de emprego e como fazer o seu próprio networking.




Fernanda tinha cerca de 8 anos quando se imaginava fazendo direito. Era pequena, mas se imaginava muito feliz com essa profissão. Assim como todos os cursos em que pensou fazer. Assim como o atual curso que pretende fazer, jornalismo.

Darlan também já pensou em pelo menos 6 profissões para a vida. E se imaginou muito feliz com elas também.

Por isso perguntamos no começo da matéria se "Você já pensou em fazer um curso que estava saturado no mercado de trabalho?". Para você pensar.
Quando o jovem tem entre 15 e 18 anos a pressão é muito grande. Provavelmente esse é o motivo de 70% dos jovens seguirem carreiras tradicionais.

Pesquisando, encontramos diversas opiniões. Inclusive de especialistas falando que cursos direito, engenharia, odontologia e medicina não são profissões saturadas.

Lembrando também que hoje as profissões se extinguem com o passar dos anos. As chamadas "profissões do futuro" não são tão confiáveis. São especulações.

Como sempre falamos aqui no AVATANDO, o importante é você ser feliz com sua escolha. Se você sentir que gosta de direito, siga, que com toda certeza você vai encontrar oportunidades no mercado.

É o que Max Gehringer falou. Sucesso profissional é sinônimo "De um sono gostoso. É deitar, dormir e acordar tranquilo, com vontade de trabalhar no dia seguinte". É ser feliz, com uma profissão saturada ou não. É seguir as dicas, mas principalmente: fazer o que realmente te deixa feliz.


Um recado do AVATANDO para uma geração que tem pressa.




* Hans Donner é designer e cuida da identidade visual da Rede Globo a 36 anos. Ele cria todas as vinhetas e peças de abertura dos programas e ajudou muito a revolucionar o canal - criando inclusive a atual logomarca da Globo. Ajudou também a tornar um dos - se não o maior - canais de TV do Brasil e até do mundo.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

TEMA 05 - INDÚSTRIA - VAGAS DE EMPREGO SOBRANDO

Fonte: explicatorium.com

"A maior indústria de tênis do mundo, a Nike, não tem fábrica; a maior livraria do mundo, a Amazon, não tem metro quadrado de loja". Foi o que disse Marco Aurélio Ferreira Vianna, consultor de empresas e presidente do Instituto MVC Estratégia e Humanismo, em uma entrevista para o site do instituto.

Abaixo, a entrevista completa, onde Marco Aurélio fala como vai ser a empresa e a indústria do século XXI, e da adaptação das pessoas perante isso.

Como vai ser a empresa do século XXI?

A ciência da administração do século XX vai ser inteiramente revista nos seus fundamentos, o que, na realidade, é um grande paradoxo. A empresa, as organizações são, de certa maneira, responsáveis pelas grandes evoluções, pela inovação tecnológica do mundo e pelo avanço da expectativa de vida das pessoas, mas são, em si, das instituições mais retrógradas que existem hoje.

Por quê?

Porque a organização da empresa se baseia em conceitos do início do século. O organograma é baseado na experiência e na tecnologia do exército da Prússia, de 1720. Quando a estrada de ferro americana, em 1850, contava com 10 mil funcionários e precisava se organizar, os dirigentes perguntaram: "Recorro a quem?" Recorre ao exército da Prússia de apenas 130 anos atrás, que se baseava na Igreja Católica Apostólica e que se baseava nos centuriões romanos. É esta organização que prevalece até hoje. E ainda tem uma coisa interessante: é que nas duas guerras, devido ao sucesso dos países vencedores, principalmente na Segunda Guerra Mundial, as empresas foram um receptáculo muito grande dos oficiais bem-sucedidos na guerra e que reforçaram o aspecto hierárquico, militarizado, estratificado, voltado para o controle. Essa foi a grande característica, o paradigma da burocracia, que constituiu a empresa do século XX.

O Drucker (Peter Drucker) tem uma visão distinta disso? Qual o impacto das idéias dele?

Eu acho que não. O Drucker criou, a partir de 1950, a visão de uma nova empresa. Em 1954, 1956, ele lança a idéia - só assimilada quase 40 anos depois pelas empresas brasileiras - de que o cliente é a peça mais importante para as organizações. Ele propôs, então, o processo, ou a dimensão da inovação e da tecnologia, como verdadeiro fator crítico das organizações. Foi, também, o primeiro a falar no trabalhador intelectual, dizendo que a sua produtividade era medida pelo grau de felicidade e de compatibilidade que ele teria nas suas atividades.

Mas entre nós, aqui no Brasil, essas idéias foram ignoradas?

Não há dúvida. Eu não quero fazer uma crítica generalizada ao empresário brasileiro, até porque acho que, em inúmeras situações, ele tem demonstrado um grau de flexibilidade e uma capacidade de reorientação extremamente grandes. O que aconteceu é que todos nós, empresários e executivos, fomos vítimas desse encarceramento mental que era a economia mundial, fechada - especificamente a brasileira -, que não privilegiava produtividade, nem competitividade. A função mais importante dentro da empresa era a área financeira e o cargo mais importante era o de gerente de "retardamento de pagamentos". O advogado que - sem descumprir a lei - atrasasse em uma semana o pagamento, ganhava, praticamente líquidos, 10% do valor da nota fiscal.

Isso não acontece mais?

Essa mentalidade vem mudando. Não podemos nos esquecer de que o empresário brasileiro conseguiu conviver com quase dez moedas nos últimos anos e com quase 20 choques econômicos. E o número de empresas que realmente quebraram em função de mudanças nas regras de jogo foi muito pequeno. De qualquer modo, uma economia européia, uma economia oriental, mais tradicional, não conseguiria conviver com isso. Antes do real os bancos fechavam o balanço em três moedas: cruzeiro, URV e dólar! Fechar o balanço diário de uma instituição como o Bradesco ou o Itaú, em três moedas, no mesmo dia e todo o dia, é algo realmente incrível! Outra coisa importante foi a capacidade de resposta que o Brasil teve no Programa de Qualidade. Houve um trabalho de motivação e de articulação do governo em cima do Programa de Qualidade e a resposta foi excepcional. O Brasil, na década de 90, foi, no mundo, o país com a maior taxa de crescimento em certificações das ISO's. Claro que ainda estamos longe do ideal e acho que vamos ter de refazer essa mentalidade antes de todos esses novos modelos, criando essa nova empresa do século XXI.

A motivação básica, evidentemente, é a necessidade de adaptação aos novos tempos. Mas, especificamente, quais são as tendências dessa necessidade?

Eu acho que existem algumas modificações - estrategic issues - que, realmente, vão ter grande impacto sobre as organizações. Primeiro ponto: a entrada e o fortalecimento gradativo e geométrico, mas muito profundo, do que chamamos de economia intangível. Que pode receber os nomes de capital intelectual, de área do conhecimento, mas que significa a perda da relação direta entre as coisas tangíveis e o valor das empresas, e o significado das empresas. A maior indústria de tênis do mundo, a Nike, não tem fábrica; a maior livraria do mundo, a Amazon, não tem metro quadrado de loja. Por outro lado, um produto melhor, hoje, fica cada vez mais barato. Você passa a ter a gratuidade, isso é uma coisa importante. Inclusive em casos extremos e até paradoxos: uma Encyclopaedia Britânica, que custa R$2 mil, tem como concorrente direto uma empresa que oferece o mesmo produto por preço zero. Então o capital intelectual passa a ser mais importante que o ativo tangível. E aí vem um gap grande, entre realidade e necessidade, porque pouca gente está se preocupando. São raríssimas as empresas que se preocupam em mensurar, desenvolver, avaliar o seu capital intelectual e a administração do conhecimento. O que acontece é que hoje, cada vez mais, o preço de uma empresa vale pelo seu intangível e não pelo seu valor tangível.

O senhor acha isso irreal?

Isso é real, porque o valor agregado daquele produto não é mais a parte tangível. Quero dizer: não é o plástico e os metais que estão dentro de um gravador, por exemplo, que vão definir um mark up 3 para vender o produto. Atualmente, cobra-se pelo valor que aquele produto agrega. De novo, o paradoxo: da mesma maneira que você agrega muito valor, você tem gratuidade. Para mim, essa será uma enorme revolução. Nós vamos ter algumas novidades muito interessantes. A primeira delas é a flexibilidade absoluta de pricing. Por exemplo, hoje você tem por meio do yeld management, nas companhias aéreas, a possibilidade de ter até 18 preços diferenciados - este dado é de seis meses atrás, pode até ter mudado. E isso é capital intelectual puro! Quer dizer: um yeld management bem feito pode levar a um aumento de rentabilidade de 2% sobre vendas, o que é um número fantástico em termos de indústria de aviação. A outra coisa do pricing, muito séria, que vai ocorrer, é o sistema que eu chamo de pay per value. E o que é isso? Você vai pagar o preço que você acha que vale aquele determinado produto. Por exemplo, quando eu fizer uma pesquisa de motivação no meu instituto, mandarei o resultado para mil pessoas. Informo que gastei 100 horas de trabalho e que, em nossa opinião, o valor desse trabalho vale R$150. Informamos também que, daqui a um mês, você pode depositar na nossa conta um valor que varia de zero a R$300. 0 que você achar que vale! Porque essa forma de preço é uma evolução do no wby, que já é utilizado bastante nos Estados Unidos e aqui no Brasil. Você vai e compra uma televisão. Quinze dias depois, você chega na loja e diz assim: "Não gostei!" Você me entrega a televisão and you don't have to te11 me wby. Você devolve e tem o dinheiro de volta. Você já tem gente em serviços fazendo isso. No nosso instituto nós fazemos isso.

Então, essa é uma tendência?

É uma tendência e forte. 0 pay per value, em uma corrente um pouco menos extremada, tem outro significado. Os produtos ou serviços serão vendidos pelo valor que eles agregam. Isso faz sentido porque agora eu estou numa época caótica, de incerteza, de volatilidade. Então, quanto mais eu pegar um parceiro que divida comigo os riscos, melhor. No fundo, a empresa vai ser uma central de comando de operações, onde todos vão dividir esse risco. Por exemplo, hoje, com certeza, na França - no Brasil, eu não garanto -, o Carrefour já cobra uma taxa dos seus fornecedores, que vendem em suas gôndolas, quando as metas de vendas não são atingidas. É o custo fixo de aluguel da área. Coisa inimaginável há cinco anos atrás! A Magnesita já está vendendo refratário mediante um contrato de atingimento de performance de produtividade. Alguns fabricantes de produtos químicos para a agricultura, também. Então, eu acho que essa é uma tendência muito forte.

Com isso, aumentaria também o grau de confiança?

0 grau de confiança e o grau de fidelização, porque diminui o risco. Você já começa a perceber isso na construção civil, também, claramente. Já tem casos em São Paulo que eu estive pesquisando, nos quais pequenas empreiteiras estimularam e motivaram a formação de miniempresas, por intermédio de seus empregados. Então, hoje o que e que elas têm? Número de empregados: zero! 0 que elas têm é uma divisão de riscos por todos. Se aquele empreendimento der errado, todos perderão um pouco, mas ninguém perderá tudo. Acho que essa é uma tendência grande, também.

E a cabeça das pessoas, nesse contexto, como fica?

Eu acho que as pessoas vão se habituar. Porque tem um ponto ai importante que é: a essência continua. A revolução foi lá dentro do cérebro. E aí é que acho que há uma discussão importante que é o item da essência. As pessoas não podem ficar como avestruzes, dizendo "não, não está acontecendo nada e isso é uma coisa normal; já tivemos a Revolução Industrial, já tivemos as grandes navegações, e esta é mais uma mudança no mundo...". Só que esta não é uma revolução qualquer. Não há dúvida de que vivemos a mudança mais séria que o mundo já teve; talvez só comparável ao Renascimento, que surgiu após as grandes navegações e o descobrimento da imprensa.

Mas quais são os limites? Como é que o universo dessas mudanças deverá se refletir nas empresas, nos países?

Está se criando hoje um conceito cada vez maior, quando você junta três pêndulos históricos específicos: a globalização da economia, a transnacionalização das empresas e a diminuição do tamanho do governo. Como conseqüência, existe a possibilidade de uma tendência de você, em um espaço de 20, 30 anos, ter organizações que sejam mais importantes que nações. Eu acredito num movimento, num efeito boomerang, ou numa tese contrária, onde vai prevalecer a essência do ser humano. E o ser humano vai defender etnicamente - diria até religiosamente - suas origens. Um dos receios que tenho, nesses próximos anos, é o acirramento, muito forte, uma defesa antiglobalização, por meio desses movimentos étnicos e religiosos, que hoje já representam mais de 90% das guerras dos últimos 20 anos. Eu vejo até a possibilidade de determinadas regiões, como o país basco, a Catalunha, a Galícia e tantos outros, realmente chegarem à sua independência. John Naisbitt prevê que, nas próximas décadas, o mundo terá mil países.
Isso deve ter um impacto, também, muito grande sobre as empresas, não?
Claro. Vamos supor, num país como o Brasil então, não tenha a menor dúvida.

Empresas especializadas...

Mais do que isso: empresas regionais. O Carrefour vai levar muito tempo para ter tamanho suficiente para entrar no interior de Pernambuco ou da Amazônia, ou estar em todos os subúrbios de uma determinada região. Esse século, ele vai ter posições extremamente complexas, porque são paradoxais. Você vai ter extremos. Da mesma maneira que você vai ser pago muito mais pela criação de valor, em alguns casos o seu produto vai ter de ser, também, gratuito. Da mesma maneira que você pode globalizar, você vai ter as especialidades regionais. Da mesma maneira que você pode transnacionalizar, você pode ter movimentos étnicos. Tudo isso porque vivemos numa época caótica. Pode até ser que venha a mudar, daqui a 20, 30 anos; ou não! O Prahalad coloca isso bem: "as empresas têm que se habituar a trabalhar com o futuro que elas não conhecem. O Peter Bernstein afirma no "Desafio dos Deuses": "Eu sei que eu não vou acertar o futuro. Aliás eu sei que eu vou errar sobre o futuro, mas eu não quero ser eliminado pelo futuro". Então, cada vez mais você quer olhar tendências estratégicas de alto impacto e baixa probabilidade.

Então a empresa evoluirá sob o forte impacto dessas tendências...

Eu acho que tem uma outra coisa que devemos destacar, também, que é a importância do ambiente humano e do capital intelectual, que sempre foi relegado a um plano inferior. Porque, no fundo, a administração de empresas é uma ciência muito nova e ela nasceu em uma relação patrão-empregado muito próxima ao senhor-escravo. No momento atual, ocorrem dois movimentos importantes: de um lado, a revolução da natureza humana, em que as pessoas estão buscando um significado de vida maior, inclusive no trabalho. Está se esvaindo, esgarçando, aquele sentimento de que trabalhar é feio. De outro lado, se o verdadeiro fator crítico de sucesso das empresas é o intangível, é o capital intelectual, as pessoas têm que estar motivadas, têm que se sentir que o ambiente é positivo.

Na área da concorrência, que cenário poderemos ter?

O Eric Hobsbawm divide o século, entre 1917 e 1989. Para o empresariado brasileiro, o século XX situa-se entre 1946 e 1994. Assim, o empresário só entrou no século XX em 1946 e em 1994 ele teve que passar para o século XXI. Nessa esteira de mudanças, devem ser ressaltadas as novas formas de concorrência heterodoxa. Uma siderúrgica era concorrente de siderúrgica, um banco era concorrente de banco. Agora não são mais! Quem é a concorrente da Rede Globo? É a Internet e são os 50 canais a cabo que, proximamente, serão 500. A teoria da concorrência - como, aliás, toda essa nova economia - vai merecer uma nova avaliação por parte dos economistas.

Algumas das mudanças previstas o preocupam?

Sim, porque está havendo modificações em coisas sérias. O mundo estava caminhando rumo a uma direção de qualidade, produtividade, ambiente humano e, de repente, tudo mudou. As empresas da nova tecnologia estão se transformando - no conceito de James Collins -, de "feitas para durar" em "feitas para rolar", inclusive levando a maquiagens contábeis, e a procedimentos éticos questionáveis. Isso, para mim, é um prejuízo muito grande e um perigo! Estamos assistindo a uma volta à "corrida do ouro", onde o negócio é maximizar o lucro, a qualquer preço. Quando eu perguntava, na economia tradicional, qual era o objetivo das empresas, essa maximização era meta para longo prazo. Mas se você pegar a maioria das empresas da nova economia e perguntar qual é o objetivo, hoje, ouvirá que é maximizar o valor patrimonial e a curto prazo - e independentemente dos meios usados! Você está começando a ter casos de relação capital x trabalho terríveis, na contramão da evolução! Então, essa é uma preocupação que eu tenho. A outra, também séria, é sobre a velocidade das mudanças, que é muito maior do que a gente imaginava. Muito maior! Então, estou muito preocupado com essa volatilidade da mudança e com os valores dessas empresas "feitas para rolar". Quando eu ouço um Michel Camdessus, economista financista, dizer que a grande herança desses 10 anos de globalização é "o paradigma da angústia", isso me preocupa! Esse fenômeno da globalização acabou sendo, não intencionalmente, um forte instrumento de acirramento e de injustiça social, de desequilíbrios regionais. Essas modificações não são só tecnológicas, são também de esgotamento de determinados modelos tradicionais. E onde tem uma coisa importante: você tem que ter humildade. Porque as causas da vitória do futuro são diferentes do passado! Se o Bill Gates não for muito inteligente, a Microsoft não sobreviverá...

(Clique para aumentar)
Arte: juliobattisti.com

A realidade é que países desenvolvidos praticamente não tem mais grandes indústrias. Essa gigantes empresas estam migrando cada vez mais para países subdesenvolvidos e emergentes, como o Brasil, procurando mão-de-obra barata.

(Clique para aumentar)
Arte: juliobattisti.com

Volkswagen, Basf, Bayer, DaimlerBenz, Deutsch Bank, Degussa-Huels, Dresdner Bank, Thyssen Krupp, Hoechst, Siemens, Bosch e Porsche são algumas das grandes empresas alemãs que usaram mão-de-obra escrava, e que agora investem suas fábricas aqui.

(Clique para aumentar)
Fonte: monografias.com.br

Segundo Dion Dennis, autor do artigo The digital death rattle of the american middle class: a cautionary tale (em inglês), o comprometimento com valores sociais das indústrias é mera propaganda. Elas estão preocupadas mesmo é em aumentar suas margens de lucro.

Um exemplo local, aqui de Santa Catarina mesmo, é o estaleiro para produção de embarcações que a empresa OSX, do brasileiro mais rico do mundo, Eike Batista, pretende instalar na baía de Biguaçu.

(Clique para aumentar)
Fonte: floripaverde.com

— É natural que outros municípios se candidatem, mas o estudo aponta Biguaçu como o local mais apropriado e o escolhido pelos empreendedores. Tenho certeza de que os problemas ambientais serão resolvidos. A OSX vai trazer toda a tecnologia possível e as melhores condições de implantação do estaleiro. Não é à toa que pretende investir R$ 3 bilhões — aposta José Castelo Deschamps, prefeito da cidade de Biguaçu.

Segundo Deschamps, houve precipitação nas decisões do ICMBio - Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade:

— Não podemos esquecer da grande importância econômica e social do estaleiro. Traz divisas e empregos. Claro que as medidas de proteção ambiental são necessárias e concordo com elas, mas a ciência e a tecnologia avançaram muito para se conseguir desenvolvimento com preservação do meio-ambiente.




O prefeito disse ainda, em matéria que saiu no dia 07/07/2010, no jornal RBS Notícias, na RBS TV (afiliada de SC da Rede Globo) que vão ser gerados "Mais de 4000 empregos diretos, e mais 12000 empregos indiretos.".

Uma outra matéria que saiu hoje (19/07/2010) no Jornal do Almoço, também da RBS TV mostrou que o grupo italiano Azimut-Benetti, especializada na fabricação de iates de alto padrão, com atividades em 67 países e com 138 unidades pelo mundo, vai construir um estaleiro também aqui em SC, na cidade portuária de Itajaí. O empreendimento vai ocupar 200 mil m2 no bairro Cordeiro. O investimento previsto soma R$ 184 milhões nos próximos cinco anos.
A previsão é que até este final de ano sejam "criados 400 empregos".

Mas o que mais chamou a nossa atenção na reportagem foi o depoimento dos moradores, iludidos. Um deles chegou a dizer que "Estou muito feliz, pois finalmente o desemprego vai acabar".

É triste ver o depoimento de um prefeito, como o de Biguaçu, José Castelo Deschamps, iludindo o povo.

Biguaçu que, segundo o senso do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2009, tem 56.395 habitantes. Contando apenas com a estimativa dos empregos diretos - já que o emprego indireto é uma questão muito subjetiva: 4000 empregos é bastante. Mas, a longo prazo, A destruição ambiental vai ter com toda a certeza um impacto ambiental muito maior do que qualquer vaga de emprego gerada.

Só para se ter uma idéia, a base salarial do estaleiro de Itajaí é de R$ 600,00. E pode ter certeza: praticamente todos os funcionários vão ganhar esse salário.

FALTA MÃO DE OBRA




Máteria do Jornal Hoje, da Rede Globo, no quadro mercado de trabalho, mostrando que faltam mão-de-obra nos setores de mineração e siderurgia - líder de poluição no estado de São Paulo, e que segundo a agência de notícias Reuters, a poluição atmosférica causa problemas genéticos que são passados de geração para geração, segundo estudo canadense.

Sobram vagas na indústria por falta de qualificação. Segundo o site do jornal, em Marabá, no sudeste do Pará, começaram as obras para a construção de uma siderúrgica que precisa de muita gente qualificada.
A empresa responsável pela usina firmou parcerias pra garantir mão de obra local. No Senai, 1.200 jovens devem se formar até agosto. Apesar do investimento - pouco, muito pouco -, a falta de qualificação ainda preocupa. “Se o Brasil crescer à taxa de 4 ou 5% nos próximos anos, até 2015 a gente tem o que a mídia pauta hoje de ‘apagão de mão de obra’. A nossa grande preocupação hoje é a mão-de-obra especializada”, explica o gerente geral de Recursos Humanos da Vale, João Menezes.

“Acho que podemos incentivar jovens que estão lá no interior a estudar matemática, física e química, porque é isso que vai fazer com que eles virem engenheiros. Um país precisa ter engenheiros para crescer. A China forma hoje em torno de 500 mil engenheiros por ano. O Brasil está formando 30 mil. Hoje falta gente e vai faltar muito mais”, afirma Horacídio Leal Barbosa Filho, diretor-executivo da Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais (ABM).

Barbosa Filho só esqueceu de uma informação:
A população do Brasil, segundo estimativa de 2009 tem 191 480 630 habitantes, contra 1,35 bilhões de habitantes na China, a maior população do mundo.
Pode até ser que falte formação de engenheiros no país, mas é óbvio que a China vai ter uma formação muito maior. A população da China representa mais de um quinto do total da mundial.

Pesquisando, encontramos especialistas falando que a engenharia é um ramo saturado. Não é uma contradição?




INDÚSTRIA DO ENTRETENIMENTO

Foto: audienciabrasileiradetv.wordpress.com

Fernanda pensa em ser jornalista do ramo esportivo atualmente. É um trabalho com o entretenimento, que não deixa de ser uma indústria.

Darlan pensa em ser meteorologista.

Ambos são ramos diferentes da Rede Globo. Uma indústria. Do entretenimento.

Esse é o ramo industrial que achamos interessante trabalhar - apenas.

No mais, nunca pensamos em trabalhar em outro ramo industrial. Não é um ramo que nos agrada.

As indústrias estão cada vez se modernizando mais e substituindo as pessoas por máquinas. Falta interesse também dos jovens. Falta qualificação.
País desenvolvido não tem indústria. Empresa desenvolvida não tem fábrica. O povo se ilude facilmente com propostas de emprego.

Mas, como sempre falamos. O Brasil precisa de profissionais sérios. E felizes.

R$ 600,00 por mês não pagam a destruição que uma indústria causa. Nada paga.