Para uma geração que tem pressa, o início da jornada profissional é uma corrida. Seja antes, durante ou depois do curso superior, o primeiro emprego influência muito no futuro profissional. E é sobre esse assunto que vamos tratar no 7º e último tema do
DESAFIO DO CONHECIMENTO: para você, qual é a importância do primeiro emprego?
Conversamos com
Dr. Gilson Schwartz, economista, sociólogo, jornalista, escritor, (como do livro "As profissões do futuro", que trata do assunto mercado de trabalho), pesquisador e professor da
USP (Universidade de São Paulo). Já foi colunista do caderno Sinapse no jornal Folha de S. Paulo, das revistas Época e Época Negócios e já publicou o blog "
Iconomia" no portal Terra. Desde 1994 tem atuado em diferentes instituições financeiras (BankBoston, BNDES, BNB, CEF e BB) e desde 2007 é curador do Centro Cultural Bradesco no Second Life, entre outras coisas.
Ele adorou a nossa iniciativa, elogiou muito o Blog e bateu um papo muito bacana com a gente, especialmente para o
AVATANDO. Confiram!
Gilson Schwartz é especialista na área do mercado de trabalho.
ENTREVISTA EXCLUSIVA PARA O AVATANDO
AVATANDO - O estágio é a opção mais segura? Quais são as vantagens e desvantagens desse tipo de emprego?
DR. GILSON - Ser estagiário, aprendiz ou iniciante não é um emprego qualquer, é o nosso primeiro emprego. Como tantas coisas importantes na vida, o primeiro nem sempre terá sido o melhor. Há por exemplo uma certo hipervalorização do primeiro amor. De fato, ele é inesquecível - mas nem sempre ele foi o maior, melhor ou mesmo o último. A principal vantagem do estagiário, do ponto de vista do empregador, é a sua disponibilidade, abertura para o novo. A desvantagem é que isso não passa do outro lado da moeda, que é a total inexperiência e portanto risco de dar com os burros n'água quando vai realizar uma tarefa na qual tem pouca ou nenhuma experiência. Do ponto de vista do estagiário, a principal vantagem é o exercício das suas melhores competências. O outro lado da moeda é descobrir que suas melhores competências não combinam com a matriz insumo-produto, a hierarquia e as rotinas do primeiro "emprego". O pior dos mundos acontece quando o chefe escraviza o estagiário e este, em represália ou sabotando o sistema, dá de ombros para o que der e vier.
AVATANDO - Quais são as principais influências dessa primeira experiência para o futuro profissional?
DR. GILSON - Status, performance e paixão. Ao sair do mundo onirico das vocações em carrossel para o engajamento concreto numa atividade específica, o estagiário ganha sua primeira credencial como indivíduo autönomo, ou seja, capaz de assumir a responsabilidade pelo seu sustento (a primeira e mais elementar forma de sustentabilidade). É um status, um diferencial frente ao pessoal que ainda está ocioso (ainda que dedicando-se a formas sofisticadas de ócio criativo). A segunda força que marca essa experiência é a própria performance. Como o estagiário está no grau zero da hierarquia corporativa, é também alvo frequente de alguma violência institucional ou mesmo sarcasmo. Apenas o estagiário que tem performance acima da média impóe respeito e conhece os verdadeiros limites de seu conhecimento e poder de realização. Aprende com o trabalho. Evolui. Avalia. Revela-se. Finalmente, nada rola sem paixão. E aquele amor à primeira vista pelo bem do próximo pode ir por terra no primeiro contato com corpos mutilados na enfermaria de um pronto socorro ou atrás do vidro de um modorrento almoxarifado.
AVATANDO - As empresas têm dado chance para jovens que estão iniciando sua vida profissional, sem currículo?
DR. GILSON - Sim, porém valorizando cada vez mais outras formas de "currículo" como a página no Orkut, os cursos e viagens, o domínio de línguas, em suma, imagem e conhecimento hoje valem mais no currículo do que a experiência profissional no sentido estrito.
AVATANDO - Quais são os principais erros dos jovens na hora de procurar um primeiro emprego?
DR. GILSON - Dar uma de "Maria-vai-com-as-outras", ou seja, ouvir mais as vozes dos outros do que a própria voz interior, que em geral nos "chama" para uma aventura que combina status, performance e paixão. O erro maior é achar que a primeira posição no jogo de xadres da vida profissional determina todos os lances seguintes e mesmo o resultado.
AVATANDO - Quais caminhos você acha que o jovem deve seguir quando tentar uma vaga no mercado de trabalho?
DR. GILSON - Procurar pessoas, não vagas.
AVATANDO - Especialistas dizem que o mercado de trabalho ambiental vem crescendo e é uma profissão de futuro. Qual dessas áreas tem proporcionado mais vagas para os recém-formados?
DR. GILSON - Há muita falação ambiental mas, na prática, estamos perdendo essa luta e os países mais poluidores, como os EUA, recusam-se a cumprir metas de contenção de emissão de gases de efeito estufa. Enquanto essa resistência predominar, vamos ouvir falar mais de meio-ambiente enquanto a sua destruição prossegue e os modelos de desenvolvimento não se alteram.
AVATANDO - Qual foi a importância do primeiro emprego para a sua conceituada carreira? Como foi essa experiência?
DR. GILSON - No meu caso, o movimento do peão foi absolutamente essencial e determinante de todos os 33 anos de trabalho que vieram desde então. Aos 17 anos, consegui a vaga de estagiário da Unidade de Processamento de Dados da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP. Naquela época, o menor computador era do tamanho de um carro e os dados só podiam ser registrados e lidos em enormes rolos de fita magnética. Aquilo me apaixonou e nunca mais deixei de acompanhar a digitalização do mundo. Antes disso, no entanto, curiosamente, consegui um emprego mesmo, como professor de inglês para executivos. Eu tinha 16 anos e dava aula para diretores de banco e empresas que tinham de três a quatro vezes a minha idade.
AVATANDO - E para fechar com chave de ouro: o que você diria para um jovem que está entrando no mercado de trabalho e procurando seu primeiro emprego?
DR. GILSON - Respire fundo, esteja preparado para errar e se jogue de cabeça. Do outro lado vai aparecer você mesmo, melhorado.
DICAS DE GEHRINGER
Para clarear mais ainda, outro vídeo do especialista na área Max Gehringer no quadro "Emprego de A a Z" sobre o primeiro emprego.
Se você tem entre 15 e 18 anos e está confuso; e se seus pais pensam que você não sabe bem o que quer da vida, não se preocupe: você é normal. Nessa idade, todo jovem tem algumas certezas sobre a vida e muitas dúvidas sobre a carreira.
O estudante Alexandre Cruz, 17 anos, é um exemplo desse tipo de indecisão: está dividido entre quatro sonhos. "Jornalismo, Sociologia, Ciências Sociais e Música. Tenho que decidir entre um deles", diz.
No interior de São Paulo, o Salão das Decisões reúne mais de 200 cursos no cardápio de oferta das universidades. O salão é o maior evento voltado para o público estudantil do interior paulista. Ele procura levar até os estudantes as informações sobre os novos cursos, as novas universidades, novas tecnologias na área de ensino, diz o organizador do evento, Luiz Antônio Guimarães.
1ª dúvida: qual curso fazer?
"Minha mãe não quer que eu faça filosofia de jeito nenhum. Ela gostaria que eu fizesse algo que tem mais mercado", explica Alexandre. Vilma Bispo, mãe do estudante, confirma. "Eu tinha esperança que ele fizesse engenharia na verdade, né?", diz.
Segundo Max Gehringer, a pergunta que deve ser feita por Alexandre para resolver o problema é: dos quatro cursos que você tem na cabeça, qual realmente você gosta mais?
"Eu realmente gosto de jornalismo", diz Alexandre. "Gosto muito de expressar o que eu penso. Eu me vejo como um Arnaldo Jabor da vida, entrando no Jornal da Globo e falando sobre as notícias da semana".
Max Gehringer alerta: algumas profissões estão saturadas, como jornalismo e direito. Para quem não sabe o que fazer, administração de empresas é uma boa opção. "Por ser o curso mais genérico que existe, é o que oferece o maior leque de oportunidades na hora de procurar um emprego.
2ª dúvida: o nome da faculdade tem importância?
"O nome da faculdade é como uma grife. Portanto, e eu sinto dizer isso, os piores alunos das escolas famosas terão mais chances do que os melhores alunos das escolas pouco conhecidas, diz Gehringer.
Felipe Silva tem 20 anos, está à procura do primeiro emprego e já sabe no que quer se especializar. "Meu sonho é ser um chefe de cozinha. Fiz um curso profissionalizante de bolos e tortas. As pessoas começaram a gostar, aí eu comecei a fazer", diz.
Segundo a coordenadora do curso de tecnologia em gastronomia do Senac, a gastronomia é uma área que está sendo muito valorizada no mercado de trabalho. "O mercado está competitivo, está exigindo uma pessoa bem formada, que tenha um conhecimento cultural relativamente amplo", diz. Uma língua estrangeira também é importante.
Na hora de procurar uma vaga, jovens como Felipe esbarram na barreira falta de experiência. Para superar o obstáculo, Gehringer dá a dica: buscar oportunidades em hotéis pode ser uma boa opção. "Hotel é o tipo de lugar que tem muita coisa para fazer: você pode trabalhar na arrumação, recepção, qualquer coisa que o hotel ofereça. Porém, estando dentro do hotel, a tua chance de passar para a cozinha é muito maior do que se você estiver fora do hotel", explica.
3ª dúvida: vale a pena mudar de curso?
Até o segundo ano, ainda dá para mudar. A partir do terceiro é melhor se sacrificar e concluir o curso. Quando se está no começo da carreira, dois anos podem fazer muita diferença, garante Gehringer.
4ª dúvida: se eu não tenho experiência, qual o melhor caminho?
Aproveite o curso para conhecer muito bem os seus professores. "A maioria, ou praticamente em todas as vagas que se abrem para jornalistas desse país, a pessoa é contratada porque outro jornalista fez uma indicação", diz Gehringer.
"A chance de você conseguir um estágio já no segundo ou terceito ano vai ser muito dependente de um professor seu". Segundo Gehringer, muitos jovens que se formam demoram a conseguir um emprego porque não aproveitaram as chances de conhecer pessoas influentes.
5ª dúvida: e se eu fizer tudo isso e não conseguir um emprego?
Segundo o superintendente da ONG Via de Acesso, Ruy Leal, essa possibilidade existe. "50% desse contingente de 1,6 milhão de jovens que saem todo ano com título de formados não vão encontrar essa oportunidade de trabalho".
Para Gehringer, é importante considerar a hipótese de não ser um empregado. O estudante Felipe Silva sonha em montar a própria confeitaria. "É meu sonho, meu maior sonho", afirma.
No Brasil, desde o final do século XX, o número de boas vagas em empresas vem sendo menor do que o número anual de formandos. Pais que foram empregados a vida inteira sempre orientam os filhos a procurar emprego.
"Olhando para as estatísticas, seria mais viável que os pais orientassem os filhos a trabalhar por conta própria", diz Gehringer. Segundo ele, o jovem tem a seu favor a coisa mais valiosa do mundo, e a única que não dá para recuperar depois: o tempo.
BUSQUE SEGURANÇA
Pensando nisso, garanta a sua segurança. Procure empresas que possuam uma estrutura sólida e comprometimento em relação aos seus objetivos e, principalmente, ao tratamento dado aos seus funcionários.
Sejam de micro, pequeno, médio ou grande porte, nestas empresas o estágio é visto como excelente oportunidade de troca de experiências: o estudante adquire vivência e a empresa conquista inovação, além da possibilidade de formar e capacitar futuros executivos. Tudo depende, claro, do seu desempenho e da estrutura financeira do seu local de trabalho.
Encontrar a vaga certa para o primeiro emprego é um desafio para a maioria dos recém-formados - mas quando eles encontram, começa um desafio ainda mais árduo: conquistá-la para si.
Matéria do quadro de Max Gehringer no programa dominical Fantástico (Rede Globo), onde ele dá dicas de como o candidato a um emprego deve encarar esse momento da entrevista de emprego e de que maneira é possível evitar o nervosismo e a ansiedade.
ESTÁGIO É A MELHOR OPÇÃO?
Muitas empresas atualmente tem exigido do contratado um estágio no currículo. Mas, será que esse tipo de emprego é a melhor opção?
Segundo nosso entrevistado Dr. Gilson Schwartz, "Ser estagiário, aprendiz ou iniciante não é um emprego qualquer, é o nosso primeiro emprego. Como tantas coisas importantes na vida, o primeiro nem sempre terá sido o melhor. Há por exemplo uma certo hipervalorização do primeiro amor. De fato, ele é inesquecível - mas nem sempre ele foi o maior, melhor ou mesmo o último. A principal vantagem do estagiário, do ponto de vista do empregador, é a sua disponibilidade, abertura para o novo. A desvantagem é que isso não passa do outro lado da moeda, que é a total inexperiência e portanto risco de dar com os burros n'água quando vai realizar uma tarefa na qual tem pouca ou nenhuma experiência. Do ponto de vista do estagiário, a principal vantagem é o exercício das suas melhores competências. O outro lado da moeda é descobrir que suas melhores competências não combinam com a matriz insumo-produto, a hierarquia e as rotinas do primeiro "emprego". O pior dos mundos acontece quando o chefe escraviza o estagiário e este, em represália ou sabotando o sistema, dá de ombros para o que der e vier".
Estágio, como tudo na vida, tem seus prós e contras. Pode ser uma boa opção para o jovem iniciante na carreira aprender, errar e ter a chance de corrigir, adquirindo experiência, como disse Dr. Gilson.
O lado ruim, talvez o pior, é quando o chefe escraviza o estagiário, que sem experiência, acaba aceitando.
Para entender melhor, mais uma matéria do quadro"Mercado de Trabalho", do Jornal Hoje:
A estimativa da matéria da repórter Michelle Loreto, que foi ao ar em 14/12/2009 era que cerca de 150 mil jovem deviam ser contratados no começo do ano de 2010. No fim do ano é que as vagas se abrem. A estimativa também era de 60 mil vagas se abrirem naquele mês de dezembro no país.
Um estágio bem feito pode ser uma verdadeira vitrine.
O estagiário que está no final da faculdade já tem pelo menos 2 anos de experiência na empresa. É o que tem mais chance de ser contratado, como foi o caso de Jean Charles Cubas, estagiário em uma empresa na cidade de Riberão Preto (SP), que depois de 1 mês ficou com a vaga definitiva. "Sem dúvida, o que contou foi a força de vontade, mostrar interesse, o essencial para o estagiário ser efetivado. Sem dúvida era meu objetivo, que consegui", conta.
Segundo a nova Lei do Estágio, antes a carga de trabalho era de em média 8 horas diárias. Agora, a carga máxima é de 6 horas por dia, ou 30 horas por semana.
O estagiário também tem direito:
- Recesso remunerado;
- Bolsa auxílio;
- 1 funcionário (no mínimo) coordenando no máximo 10 estagiários;
- Atividades práticas na área relacionadas com o que ele está aprendendo na faculdade;
- Apresentação de relatórios feitos pela empresa sobre o desempenho do estudante.
As mudanças também trouxeram uma redução no número de vagas, cerca de 20% no país. As empresas passaram a contratar menos pelo aumento da burocracia e dos custos. Mas, para quem está procurando estágio, a boa notícia é que esse ano a situação melhorou.
Segundo Seme Arone Júnior, presidente da Associação Brasileira de Estágio (ABRES), "Existem muitas vagas, é a lei da oferta e da procura. Certos cursos no Brasil tem pouquissímos alunos, como é o caso de biblioteconomia, e de engenharia, que com o boom da construção civil, estam faltando profissionais".
AS ÁREAS QUE MAIS CONTRATAM
- Administração
- Comunicação social
- Informática
FALTAM ESTAGIÁRIOS NAS ÁREAS
- Economia
- Engenharia
- Estatística
- Matemática
- Biblioteconomia
- Secretariado-executivo
- Ciências contábeis
E pelos números do MEC (MInistério da Educação e Cultura), tem muita gente gente fora dos estágios. Apenas 6,7% dos estudantes do Brasil estão estagiando.
Uma matéria do Fantástico no quadro "Emprego de A a Z", com Max Gehringer sobre a importância do estágio:
A ENTREVISTA DE EMPREGO
Uma das horas mais temidas pelas pessoas, independente da idade é a entrevista de emprego.
Segundo nosso entrevistado Dr. Gilson Schwartz, um dos principais erros na hora de procurar uma vaga é "Dar uma de "Maria-vai-com-as-outras", ou seja, ouvir mais as vozes dos outros do que a própria voz interior, que em geral nos "chama" para uma aventura que combina status, performance e paixão. O erro maior é achar que a primeira posição no jogo de xadres da vida profissional determina todos os lances seguintes e mesmo o resultado."
Com toda certeza. Dicas são válidas e muito utéis - como estamos fazendo aqui no Blog -, mas o ideal é a pessoa estar confiante consigo mesma e saber o que está fazendo.
Para completar, uma matéria do Jornal Hoje, da Rede Globo, que tem um quadro bem interessante chamado "Mercado de Trabalho".
A matéria da repórter Veruska Donato mostrou que as empresas tem compreendido o nervosismo dos entrevistados, e acham isso normal. Portanto, não é por isso que você vai perder a vaga. As empresas tem mudado seu perfil aos poucos.
Segundo a entrevistada pelo jornal Alessandra Tomelin, psícologa e gerente de recursos humanos, "A entrevista de emprego é uma reunião que você vai fazer com outra pessoa e que o assunto é você.".
REAÇÕES DO CORPO
Os processos de seleção causam diversos efeitos no corpo, como:
- Vazio no estômago;
- Aperto no peito;
- Taquicardia;
- Tontura;
- Náuseas;
- Suores
As mulheres costumam balançar o corpo, enquanto homens mexem exageradamente mãos e pés.
MAIS ERROS DOS ENTREVISTADOS
Para evitar alguns erros comuns que muitas vezes afastam os jovens da sua primeira oportunidade, Flávia Furlan Nunes escreveu um artigo no InfoMoney apresentando 5 erros comuns dos recém-formados em busca do primeiro emprego. São eles:
MANDAM CURRÍCULOS SEM DIRECIONAMENTO
Não mande seus currículos para endereços gerais. Deixe claro que pessoa ou empresa deseja atingir. É verdade que diversas vagas somente exigem o envio e não se identificam, mas não há explicação para frases como "Prezado (a) Senhor (a)" no início.
Não mande e-mail com os endereços à mostra, para que todos vejam para quem está enviando seus currículos. Prefira mandar um de cada vez, ou a empresa poderá pensar que você está louco atrás de uma vaga e que poderia até mentir por isso.
VESTEM-SE ERRADO PARA A ENTREVISTA
Muitos recém-graduados vestem roupas casuais para a entrevista, que é o primeiro contato com a empresa, o que está errado. Este tipo de atitude pode lhe tirar da corrida pela vaga sem você ter, ao menos, falado alguma coisa.
Nunca pense em ir de chinelos ou colocar um top na hora da entrevista. A melhor estratégia é se vestir com elegância, mesmo que a empresa seja informal.
SAIBA OUVIR NA ENTREVISTA
Não fique falando sobre você sem parar durante a entrevista. Pare e ouça em alguns momentos. Use o primeiro contato para coletar informações sobre a empresa e de como será a rotina da pessoa escolhida na seleção.
Pergunte sobre possibilidades de crescimento e deixará uma boa impressão. Falar sem parar somente mostrará que você quer aparecer, sem ter tanto conteúdo, já que não tem experiência. Sempre peça licença para fazer perguntas e comentários.
NÃO AGRADECEM PELAS OPORTUNIDADES
Não é indicado somente deixar a entrevista e dizer "tchau". Mande uma carta ou um recado agradecendo a oportunidade. O mais indicado seria mandar um e-mail com o conteúdo, mas cuidado para não ser mal interpretado. Mostre que você ainda está interessado por alguma vaga.
PROCURAM APENAS NA INTERNET
A internet abre muitos caminhos, pois indica as vagas disponíveis. Além disso, os estudantes têm bastante familiaridade com ela. Mas se limitar a esta ferramenta de busca pode fazer com que as chances de encontrar a vaga que deseja diminuam.
Sempre peça ajuda para quem você conhece, até mesmo colegas da faculdade ou parentes. Não tenha vergonha de dizer que está à procura, pois isso somente fará com que as pessoas queiram lhe ajudar. Deixe a situação clara a seus pais; eles podem conhecer alguém influente na área em que você pretende atuar.
Como Dr. Gilson disse,
"Procurar pessoas, não vagas".
DICAS PARA CONTRATAÇÃO
- Domínio com informática
- Cuidado com português
- Estar atualizado, lendo revistas e jornais
- Tenha uma postura correta
Segundo Evelyn Lemos de Oliveira, gerente de seleção, "A giria, mesmo no ambiente informal, não é usada em ambiente de entrevista e de trabalho de forma alguma".
Mas, talvez você não saiba, mas para algumas empresas o estágio ainda é visto como uma boa alternativa de contratação barata, já que não envolve qualquer benefício, férias, hora extra ou 13º salário, por exemplo. Mas não desanime! Claro que existe, como em tudo na vida, o lado bom: e é justamente isto que você deve buscar.
Matéria exibida no Fantástico de 31/08/2008, em que Gehringer indica a melhor maneira de se entrar no mercado de trabalho.
O ESTIMULO DESISTIMULADOR
Um trecho de texto muito interessante do site Antenados na Geral sobre o primeiro emprego e o plano do Governo Federal PNPE, que projetava estimular jovens carentes e acabou não deslanchando:
O Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego (PNPE) é um compromisso do Governo Federal com a sociedade brasileira para o combate à pobreza e à exclusão social, integrando as políticas públicas de emprego e renda a uma política de investimentos públicos e privados geradora de mais e melhores oportunidades.
O desemprego juvenil é um dos principais desafios enfrentados pelo Governo. Os jovens de 16 a 24 anos representam grande parte dos desempregados do país. O índice de desemprego entre os jovens nessa faixa etária é quase o dobro da taxa de desemprego em geral. Os homens e as mulheres jovens desempregados somam cerca de 3,5 milhões, ou 45% do total de 7,7 milhões de desempregados em todo o país.
O PNPE foi modificado por meio de um conjunto de medidas cujo objetivo é melhorar as condições de acesso ao mercado de trabalho. Foi aprovada a Lei 10.940/2004, promovendo alterações como o aumento do valor do incentivo pago às empresas que participam do PNPE, além de criar facilidades operacionais. Um novo sistema de informações, o Sigo, permite adesões ao programa também por meio das DRTs e dos Consórcios Sociais da Juventude, alem dos postos do Sine.
Os Consórcios Sociais da Juventude, que foram implantados inicialmente como projetos-piloto em cinco estados e no Distrito Federal, estão sendo estendidos a todas as capitais do país e às principais regiões metropolitanas, para beneficiar mais 50 mil alunos.
Uma das ferramentas fundamentais no mercado de trabalho é a comunicação, e quem fala e escreve bem tem mais chances de conquistar uma oportunidade de emprego.
Está errado quem acha que falar e escrever bem é uma questão de dom. “Falar em público é algo que resulta de treinamento. Os latinos já diziam: ‘O poeta nasce e o orador se faz’”, afirma Izidoro Blikstein, professor de lingüística e semiótica.
"O Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego (PNPE) foi um compromisso do Governo Federal com jovens carentes. A espectativa era de em 1 ano criar 70 mil empregos. Até o fim do ano, o governo criou apenas 1.308 vagas."
A ótima notícia é que, segundo os especialistas, qualquer pessoa pode aprender as técnicas para se expressar bem - até quem tem pavor de fazer isso. “As pessoas não gostam de falar em público porque elas se expõem. Quando eu falo em público, as pessoas estão me julgando, avaliando minha competência, minha capacidade de escolher bem as palavras”, explica Blikstein.
Você não deve se preocupar em falar bem só no trabalho, pois até uma festa ou um encontro podem render um emprego.
Nove meses depois de entrar efetivamente em funcionamento, o programa Primeiro Emprego ainda não conseguiu deslanchar. Da meta de criar 70 mil empregos para jovens carentes até o fim do ano, o governo criou apenas 1.308. As empresas conveniadas ao programa ofereceram 5,4 mil vagas, mas muitas vezes não é fácil encontrar entre os jovens credenciados quem se encaixe nas atribuições necessárias, explica o secretário-executivo do Ministério do Trabalho e Emprego, Alencar Ferreira.
O secretário acredita que os resultados do programa apresentarão considerável melhora graças às alterações feitas por medida provisória, aprovada há duas semanas, para corrigir problemas identificados.
- Não dá para falar que o programa não deslanchou. Ele não é algo emergencial, será uma política permanente do governo Luiz Inácio Lula da Silva - diz Ferreira.
As cobranças em torno da criação de vagas são grandes. Afinal, em junho do ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou com grande pompa no Palácio do Planalto o envio do projeto de lei ao Congresso. A grande festa - que contou até com a presença do Olodum Mirim - deixou a impressão de que o retorno viria rápido. A sanção do projeto, no entanto, só ocorreu em 23 de outubro de 2003, atrasando o início da operacionalização do Primei ro Emprego. O orçamento deste ano para o programa é de R$ 188 milhões.
O professor da Unicamp, Claudio Dedecca, especialista em mercado de trabalho, está pessimista com o futuro do Primeiro Emprego. Para ele, a possibilidade de êxito do programa é bastante limitada. Segundo Dedecca, seria muito mais interessante o governo implementar um programa de geração de empregos para jovens vinculados a políticas públicas.
A extensa fila, no início deste ano, formada por milhares de jovens entre 16 e 18 anos incompletos, em busca oportunidade de emprego formal, através do CAMPC (Circulo dos Amigos do Menor Patrulheiro de Campinas), evidencia a urgência de se implementar programas que fomentem oportunidades profissionais para este segmento. O governo federal anunciou recentemente a criação, oportuna, de um programa nesta linha. Em tempos de desemprego cada vez mais acentuado, haja vista índices recentes que indicam diminuição de vagas, a disputa por uma colocação profissional é ainda mais dramática em algumas faixas etárias. É o caso daqueles que buscam o primeiro emprego. Na maioria desafiados pela premente questão da sobrevivência ou como componente indispensável da baixa renda familiar. A primeira grande barreira que enfrentam é a alegada falta de experiência. E quando a terão se não tiverem a primeira chance?
Algumas outras ações práticas acontecem ou se encaminham, caso do Programa Profissão, no qual o governo estadual, através da Secretaria Estadual de Educação, viabiliza cursos profissionalizantes complementares, para alunos concluintes do ensino médio em escolas públicas. No município há expectativa de inauguração do futuro Ceprocamp – Centro de Educação Profissional de Campinas, anunciada pela Prefeitura. Que tal espaço, uma parceria com o governo federal, promova para nossos jovens a almejada qualificação que amplie oportunidades e melhor preparo para o disputado primeiro emprego. Ganha importância adicional levar em conta, na implementação de novos programas, as experiências já existentes, ampliá-las ou consolidá-las.
O sistema de recrutamento de profissionais no mercado vem sofrendo alterações drásticas nos últimos anos. Um exemplo claro disso é que na década de 80 eram necessários o primeiro grau completo (termo utilizado na época para o hoje ensino fundamental) e um curso de datilografia. Na década de 80, dispor um curso de computação era um luxo e não algo básico como atualmente.
O cenário foi mudando e na década de 90 o “primeiro grau” foi substituído pela qualificação mínima do 2º grau, hoje chamado de ensino médio, e o diferencial agora não era mais a tal datilografia e sim um curso de computador. Foi nessa época que surgiram aqueles termos, aqueles chavões usados até hoje nos currículos como: “domínio pleno em informática”, “conhecimento pleno em computação”.
Na verdade esta evolução chegou ao nosso século buscando profissionais que tenham ensino superior e tenham também outra característica: que saibam descrever claramente como podem contribuir para o sucesso da empresa. É neste sentido que entra a experiência que muitos jovens possuem no terceiro setor. Isso significa que atualmente é diferencial para conquistar uma vaga em uma empresa o trabalho que uma pessoa vem desenvolvendo junto às instituições sociais de sua cidade, participar de Organizações não governamentais – ONG -, de Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público – Oscip - e outras siglas que refletem um trabalho voluntário voltado para a comunidade ou para o meio ambiente, é uma ótima oportunidade de melhorar e qualificar o seu currículo.
QUAL A IMPORTÂNCIA DO PRIMEIRO EMPREGO?
Para Dr. Gilson, o primeiro emprego ajudou ele a se apaixonar mais ainda por sua profissão, mesmo com as dificuldades de trabalhar com um computador de um tamanho de um carro, por exemplo. Tanto, que aos 16 anos de idade já dava aula para experientes diretores de banco e empresas, que eram muito mais velhos que ele. "No meu caso, o movimento do peão foi absolutamente essencial e determinante de todos os 33 anos de trabalho que vieram desde então. Aos 17 anos, consegui a vaga de estagiário da Unidade de Processamento de Dados da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP. Naquela época, o menor computador era do tamanho de um carro e os dados só podiam ser registrados e lidos em enormes rolos de fita magnética. Aquilo me apaixonou e nunca mais deixei de acompanhar a digitalização do mundo. Antes disso, no entanto, curiosamente, consegui um emprego mesmo, como professor de inglês para executivos. Eu tinha 16 anos e dava aula para diretores de banco e empresas que tinham de três a quatro vezes a minha idade."
Ele foi feliz com seu primeiro emprego. O essencial para qualquer atividade do ser humano. Gostar do que faz e do que é.
Quais são as principais influências dessa primeira experiência para o futuro profissional?
"Status, performance e paixão. Ao sair do mundo onirico das vocações em carrossel para o engajamento concreto numa atividade específica, o estagiário ganha sua primeira credencial como indivíduo autönomo, ou seja, capaz de assumir a responsabilidade pelo seu sustento (a primeira e mais elementar forma de sustentabilidade). É um status, um diferencial frente ao pessoal que ainda está ocioso (ainda que dedicando-se a formas sofisticadas de ócio criativo). A segunda força que marca essa experiência é a própria performance. Como o estagiário está no grau zero da hierarquia corporativa, é também alvo frequente de alguma violência institucional ou mesmo sarcasmo. Apenas o estagiário que tem performance acima da média impóe respeito e conhece os verdadeiros limites de seu conhecimento e poder de realização. Aprende com o trabalho. Evolui. Avalia. Revela-se. Finalmente, nada rola sem paixão. E aquele amor à primeira vista pelo bem do próximo pode ir por terra no primeiro contato com corpos mutilados na enfermaria de um pronto socorro ou atrás do vidro de um modorrento almoxarifado.", como contou Dr. Gilson em sua bela entrevista.
Paixão. O ser humano é movido por essa causa.
Fernanda quer ser jornalista e Darlan meteorologista, como já contamos em matérias anteriores. Esperamos sim arranjarmos bons empregos.
Mas, muito mais que isso, esperamos ser felizes com o que fazemos. Movidos por "Status, performance e paixão" pela profissão e carreira. Nós e vocês, leitores, AVATANDOS pelo mundo.